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Da pirataria à gastronomia: antiga plataforma de rádio e TV se transforma em polo gastronômico em Amsterdã

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2026

Em agosto de 1964, um grupo de empreendedores decidiu questionar as leis holandesas sobre transmissões comerciais de rádio e televisão de uma maneira para lá de audaciosa: erguendo uma plataforma em pleno Mar do Norte, a cerca de 10 km da cidade de Noordwijk, fora das águas territoriais do país.

A ideia tinha uma lógica: já que as leis dos Países Baixos não permitiam esse tipo de veículo de comunicação, o jeito era abrir um canal externo aos limites nacionais, mas ainda perto o bastante para que o sinal fosse recebido no continente. Outros já tinham tentado fazer isso com barcos, mas a rádio e TV pirata surgida naquele momento queria algo mais permanente: era a REM-Eiland, ou “Ilha REM”, sigla em holandês para “Empresa de Exploração Publicitária”.

Embora a ideia tenha naufragado (não literalmente), a REM permaneceu no imaginário dos holandeses. E, décadas após ser desativada, a estrutura foi desmontada e reconstruída no porto de Amsterdã como bar e restaurante.

O passado da REM-Eiland

A história da plataforma começou um ano antes da sua construção, em 1963, quando a REM foi fundada. Na época, a televisão ainda dava seus primeiros passos, e os Países Baixos mantinham um sistema peculiar mesmo para os padrões do período: tentando manter a ideia da “pilarização” na qual sua sociedade era baseada (uma divisão total de estruturas sociais, educacionais e comunicacionais em determinados grupos étnicos e religiosos), o governo tinha uma grande resistência em autorizar que meios de comunicação de massa com viés comercial entrassem em operação.

Mas, em vez de aceitar passivamente as leis do período (que seriam modificadas no final da década, após as autoridades perceberem que era impossível frear os avanços tecnológicos), muitos investidores começaram a jogar dinheiro em estações de rádio e TV piratas, que funcionavam fora dos limites do país. Barcos eram a opção preferencial, mas a REM-Eiland inovou com a construção de uma plataforma semelhante àquelas usadas para extrair petróleo do fundo do mar. Montada em um estaleiro da Irlanda, ela foi instalada no Mar do Norte e começou a fazer suas emissões em 15 de agosto de 1964.

Plataforma de perfuração marítima com torre metálica alta, estrutura principal branca sobre pilares, e dois navios de apoio atracados em águas agitadas sob céu nublado

Com caráter comercial, bem diferente dos canais de utilidade pública e educativos que existiam naquele momento, a REM adotou o nome de TV Nordzee e transmitia uma série de enlatados importados dos Estados Unidos, como Zorro e Rin Tin Tin – além de exibir publicidade nos intervalos, algo também inusitado para a época.

O experimento não durou muito: já em dezembro, o governo holandês aprovou uma lei de emergência que autorizou operações militares além de suas águas territoriais, estendendo-se por toda a plataforma continental na costa da Holanda, o que incluía a área onde estava a REM-Eiland. A estrutura acabou invadida e desmantelada pela marinha, apenas quatro meses após começar a fazer suas transmissões clandestinas.

Nas décadas seguintes, o Estado assumiu o controle da plataforma e a utilizou principalmente para realizar monitoramentos meteorológicos e do ritmo das marés, algo fundamental para um país que tem boa parte do seu território abaixo do nível do mar. A REM-Eiland foi finalmente desmontada em 2006, sendo reerguida cinco anos mais tarde já em Amsterdã.

O REM atual

Hoje, quem deseja conhecer esse local inusitado pode se dirigir à região portuária de Houthavens, em Amsterdã. A velha REM-Eiland já não faz transmissões piratas nem mede a altura das ondas, mas se tornou um lugar imperdível para ter uma vista panorâmica do porto e do rio IJ, além de ver de perto um lugar que conta uma parte sui generis da história da TV na Holanda.

O espaço agora reúne restaurante, bar, terraço e um estúdio com usos variados, na antiga sala de transmissão da TV Nordzee. A culinária mistura inspirações escandinavas, japonesas e mediterrâneas, sendo que os clientes podem optar por pratos à la carte ou um menu degustação em cinco etapas.

O estabelecimento funciona de terça-feira a sábado, das 17h às 1h da manhã. Mais informações podem ser encontradas no site oficial rem.amsterdam.

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Fonte: viagemeturismo

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