O Pantanal não é um destino que se conhece de uma única maneira. Entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a maior planície alagável do mundo muda de aparência conforme as estações, enquanto o ciclo de cheias e secas transforma rios, baías e campos e influencia diretamente a vida dos animais e das comunidades que vivem na região.
Para quem visita o bioma, isso significa encontrar experiências muito diferentes em uma mesma viagem. Há estradas que cortam áreas alagáveis, passeios de barco por rios e corixos, cavalgadas, safáris fotográficos, hospedagens em fazendas pantaneiras e roteiros que aproximam o visitante de comunidades tradicionais e povos indígenas.
Entre os destinos que ajudam a entender essa diversidade estão a Transpantaneira, em Mato Grosso, e a Estrada-Parque Pantanal, a Serra do Amolar e os municípios de Miranda, Aquidauana e Corumbá, em Mato Grosso do Sul.
Transpantaneira: uma estrada cercada pela vida selvagem
Em Poconé, Mato Grosso, uma estrada pode ser transformada em verdadeiro passeio de observação da natureza.
A Estrada-Parque Transpantaneira tem aproximadamente 145 quilômetros e 125 pontes, ligando Poconé a Porto Jofre. O trajeto é um dos principais corredores turísticos do Pantanal mato-grossense e permite observar a fauna enquanto o visitante avança pela planície.
Nas margens da estrada, podem aparecer jacarés, capivaras, tuiuiús, sucuris e diversas espécies de aves. A presença de pousadas e fazendas turísticas ao longo do caminho permite montar roteiros diferentes, combinando os deslocamentos terrestres com passeios de barco, cavalgadas e atividades de observação de animais.
Parque Estadual Encontro das Águas: território das onças-pintadas
Entre Poconé e Barão de Melgaço está o Parque Estadual Encontro das Águas, unidade de conservação com aproximadamente 109 mil hectares.
A região é conhecida pelas possibilidades de observação de onças-pintadas, além de ser procurada por quem pratica birdwatching, atividade dedicada à observação de aves.
A área reúne uma grande variedade de ambientes e espécies, fazendo do contato com a natureza um dos principais atrativos para quem percorre o Pantanal de Mato Grosso.
Estrada-Parque Pantanal: 116 km entre paisagens e animais
Em Mato Grosso do Sul, a Estrada-Parque Pantanal percorre aproximadamente 116 quilômetros por áreas de Corumbá, Miranda e Ladário.
O roteiro é formado por trechos das rodovias MS-184 e MS-228, e foi criada em 1993 como Área de Especial Interesse Turístico. O caminho atravessa ambientes característicos do Pantanal e permite observar animais e paisagens durante o percurso.
Tuiuiús, biguás, garças, jacarés e outras espécies podem ser encontrados entre pontes, vazantes, corixos, fazendas tradicionais e propriedades dedicadas ao turismo.
Serra do Amolar: onde o Pantanal encontra as montanhas
Em Corumbá, a Serra do Amolar apresenta uma paisagem diferente daquela que normalmente vem à cabeça quando se fala em Pantanal.
O acesso à região ocorre principalmente por navegação pelo rio Paraguai e seus afluentes. Pelo caminho, aparecem serras, morros, rios, corixos e áreas de vegetação preservada.
O contraste entre as formações rochosas e a planície pantaneira transforma a região em um dos cenários mais marcantes para quem procura experiências de natureza e contemplação.
Além disso, os passeios de barco também possibilitam o contato com comunidades ribeirinhas que vivem na região.
Miranda e Aquidauana: fazendas, cavalgadas e cultura
Miranda é considerada um dos principais portais de entrada para o Pantanal Sul, reúnindo fazendas tradicionais voltadas ao ecoturismo, safáris fotográficos e noturnos, cavalgadas e atividades de contato com a natureza.
A região também possui iniciativas de turismo de base comunitária, incluindo experiências ligadas a comunidades indígenas. Nesses roteiros, visitantes podem conhecer aspectos da cultura, dos saberes tradicionais, do artesanato e da relação dessas comunidades com o território.
Em Aquidauana, outro importante portal do Pantanal sul-mato-grossense, as opções incluem safáris fotográficos, passeios ecológicos, caminhadas, cavalgadas e passeios de barco.
A região ainda permite observar a planície pantaneira a partir das serras de Piraputanga e Maracaju. O rio Aquidauana também é um dos principais elementos da paisagem e das atividades turísticas.
Corumbá: Pantanal, rio e história
Corumbá reúne natureza e história em um mesmo roteiro. Às margens do rio Paraguai, a cidade tem forte tradição na pesca esportiva e nos passeios fluviais, além de preservar um patrimônio histórico e arquitetônico ligado à sua trajetória como cidade portuária e comercial.
O centro histórico e a proximidade com áreas de grande biodiversidade fazem de Corumbá uma das principais portas de entrada para experiências turísticas no Pantanal.
A viagem pelo rio Paraguai também permite conhecer diferentes paisagens e acompanhar de perto a relação entre o rio, a fauna e as comunidades que vivem na região.
Pantanal muda conforme a época do ano
Uma das características que tornam o Pantanal diferente de outros destinos de natureza é justamente sua transformação ao longo do ano.
O ciclo entre períodos de cheia e seca altera a paisagem e modifica a forma como os visitantes podem explorar o bioma. Rios, baías, campos e áreas alagáveis assumem diferentes configurações, enquanto a fauna acompanha essa dinâmica.
Por isso, uma viagem pelo Pantanal pode proporcionar experiências completamente diferentes dependendo da época escolhida. Mais do que um lugar para observar animais, o bioma reúne natureza, aventura, cultura, história e conservação em roteiros espalhados pelos dois estados.
De uma estrada com 125 pontes em Mato Grosso a uma navegação pela Serra do Amolar, passando por fazendas, rios e comunidades tradicionais, o Pantanal revela diferentes versões de si mesmo para quem decide percorrê-lo.
Fonte: primeirapagina





