Biólogos da Universidade Stanford, nos EUA, produziram em laboratório os primeiros vírus cujo código genético foi escrito por duas inteligências artificiais. Eles usaram como base um vírus natural chamado Phi X 174 – que foi descoberto em 1935 e é um bacteriófago, ou seja, mata bactérias.
O DNA desse vírus, composto por 11 genes, foi analisado e processado por duas IAs, batizadas de Evo-1 e Evo-2, criadas pelos pesquisadores de Stanford e treinadas com o genoma de 2 milhões de vírus. Esses algoritmos geraram milhares de variações do Phi X 174. Cerca de 300 delas foram sintetizadas em laboratório pelos cientistas. 16 sobreviveram, conseguiram se replicar – e demonstraram a capacidade de matar bactérias.
Eles foram testados contra cepas resistentes da
Escherichia coli, uma bactéria que vive no sistema digestivo humano e normalmente não causa problemas – mas, em alguns casos, pode se tornar patogênica e desencadear infecções graves. Além de matar a E. coli, os vírus criados por IA também conseguiram evitar que ela desenvolvesse resistência – bastou usar mais de um vírus sintético ao mesmo tempo.

Os vírus sintéticos podem ser uma solução para as infecções super resistentes, que vêm se tornando mais comuns.
Segundo a OMS, a cada ano 4,7 milhões de pessoas morrem devido a infecções bacterianas intratáveis, e 1 em cada 6 casos de infecção confirmada por testes de laboratório é resistente a antibióticos.
Mas isso também traz riscos, alguns dos quais foram levantados por cientistas da Universidade Johns Hopkins – que publicaram um artigo a respeito na última edição da revista Science – a mesma que traz o estudo publicado pelos pesquisadores de Stanford.
Segundo eles, a IA pode acabar gerando vírus perigosos, impossíveis de conter com os tratamentos hoje conhecidos. Por isso, os cientistas defendem a criação de regras e sistemas de governança para controlar o uso dela na genética.
Mas também há a possibilidade de que essa tecnologia, relativamente acessível (os algoritmos Evo-1 e Evo-2 podem ser baixados da internet, e a modificação de vírus é uma técnica de laboratório bem conhecida), um dia venha a ser usada em ações de bioterrorismo.
Fonte: abril





