A Polícia Federal cancelou o depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA) que seria realizado nesta sexta-feira (7) a pedido da defesa do parlamentar. Ele seria ouvido no âmbito da investigação que levou à nona fase da Operação Compliance Zero [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/jaques-wagner-e-alvo-de-busca-e-apreensao-em-operacao-do-caso-master/], por suspeita de envolvimento com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/banco-master/].

A Gazeta do Povo confirmou o cancelamento junto a fontes a par da investigação. A suspensão ocorreu, segundo a defesa do senador, por falta de acesso ao conteúdo da investigação. Uma nova data será definida.

“O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês”, afirmou a defesa do senador em nota (veja na íntegra mais abaixo).

Jaques Wagner passou a ser investigado pela Polícia Federal após a descoberta de que ele mantinha contato direto com o ex-sócio de Vorcaro no Master, o empresário Augusto Lima. A apuração aponta que ele teria recebido vantagens financeiras [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/wagner-recebido-vantagens-indevidas-voos-jatinho-vorcaro/]para atuar por interesses do então banqueiro no Senado.

Os advogados também sustentam que Wagner pretende colaborar com as investigações, mas somente após conhecer os elementos que embasam o procedimento.

“O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor”, declarou.

A Polícia Federal identificou pelo menos 74 ligações telefônicas entre Augusto Lima e Jaques Wagner, em sua maioria por chamadas de voz para evitar deixar rastros. O senador teria atuado a favor de Vorcaro em propostas legislativas relativas a crédito consignado, à chamada “emenda Master” para aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) junto do senador Ciro Nogueira (PP-PI), entre outras.

Em meados de junho, Jaques Wagner foi o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, em que a investigação descobriu que ele teria recebido um apartamento de luxo em Salvador, voos de jatinho e ingressos para um show. Ele, no entanto, negou qualquer relação com Vorcaro [https://www.gazetadopovo.com.br/republica/jaques-wagner-nega-relacao-vorcaro-dinheiro-apreendido-diarias-senado/] e afirmou que provaria sua inocência.

Por causa da investigação, o parlamentar perdeu o cargo de líder do governo no Senado, embora tenha sido posteriormente defendido [https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2026/lula-pede-voto-a-jaques-wagner-investigado-por-propina-no-caso-master/] pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva [https://www.gazetadopovo.com.br/tudo-sobre/lula/] (PT).

Veja abaixo o que disse a defesa de Jaques Wagner sobre o cancelamento do depoimento:

A defesa do senador Jaques Wagner informa que requereu, com antecedência proporcional, o adiamento do depoimento designado para o dia 7 de agosto, em data que havia sido ajustada com a autoridade policial.

O pedido de adiamento decorre exclusivamente do fato de ainda não ter sido viabilizado à defesa, por problemas técnicos (todos documentados), o acesso ao conteúdo da investigação, requerido no mesmo ato em que a data foi indicada, há quase um mês.

O senador pretende falar. Contudo, por orientação de sua defesa, apenas o fará após conhecer o que efetivamente consta na investigação e o que, de fato, está sendo investigado, pois esse é um direito seu. Somente assim terá condições de prestar um depoimento verdadeiramente esclarecedor.

A defesa não fará considerações sobre o mérito até possuir esses dados para análise.