Um objeto celeste recém-descoberto tem intrigado a comunidade científica. Isso porque astrônomos não sabem exatamente como classificá-lo – na verdade, ele parece desafiar a própria definição do que é um planeta e do que é uma lua.
O motivo está em sua dinâmica orbital única: o corpo celeste orbita uma anã marrom, um tipo de objeto subestelar que é maior que planetas gasosos, mas menor que estrelas pequenas. Anãs marrons têm o apelido de “estrelas fracassadas”, porque elas não conseguem sustentar a fusão nuclear típica dos sóis e, portanto, não são estrelas de verdade.
Essa anã marrom, por sua vez, ainda orbita uma estrela maior chamada CD-35 2722, localizada a cerca de 73 anos-luz da Terra. Essa característica o torna diferente de tudo o que conhecemos até então no Sistema Solar, o que também justifica a dificuldade dos astrônomos em categorizá-lo.
A União Astronômica Internacional (UAI) diz que um planeta deve fazer três coisas: orbitar uma estrela; ser grande o suficiente para que sua gravidade forme uma estrutura esférica; e ser o maior corpo celeste em sua órbita. Um exoplaneta, portanto, seria um planeta com essas características, mas fora do Sistema Solar. Já uma exolua seria o satélite natural que orbita um exoplaneta.
Mas o objeto descoberto não se encaixa em nenhuma dessas definições. Ele não é uma exolua, pois não orbita um planeta, nem um exoplaneta, já que não orbita uma estrela.
As complexidades da nova descoberta foram descritas em um estudo publicado na revista Nature. Sem uma classificação exata, a solução por enquanto foi nomeá-lo apenas de “exossatélite” (afinal, ele é um satélite, já que orbita uma anã marrom).
“A estrutura do CD-35 é tão diferente da estrutura do nosso Sistema Solar que todas as palavras que inventamos para descrever os objetos celestiais simplesmente não estão mais funcionando”, observa Kevin Hoy, autor do estudo, em entrevista ao portal Science News.
Hoy e seus colegas acreditam que o tamanho do satélite indica uma provável composição gasosa, em vez de rochosa ou metálica. Ainda assim, há muitas incógnitas.
Mary Anne Limbach, astrônoma da Universidade de Michigan que não participou do estudo, considera “exossatélite” um termo apropriado. “A astronomia precisa de uma linguagem para objetos celestes que não se encaixam perfeitamente nas categorias tradicionais de ‘planetas’ e ‘luas’, e ‘satélite’ parece ser o termo mais amplo”, diz ela ao site Physics World.
Em busca de exoluas
Desde 1992, mais de seis mil exoplanetas (planetas fora do nosso Sistema Solar) foram descobertos e catalogados por astrônomos mundo afora. Se seguirmos a lógica do nosso Sistema Solar, seria natural encontrar exoluas orbitando esses planetas. Até hoje, porém, nenhum objeto desse tipo foi identificado com certeza.
Foi por isso que o primeiro instinto dos pesquisadores foi classificar o novo objeto celeste como uma exolua. Mas como ele não orbita um exoplaneta e tem uma massa muito grande, similar à de Júpiter (o maior dos nossos vizinhos) – a hipótese foi descartada.
Outros pesquisadores não envolvidos na pesquisa acreditam ser simplesmente um planeta, mesmo que ele orbite uma anã marrom e não uma estrela. É isso que o astrônomo Nader Haghighipour, da Universidade do Havaí, defendeu ao portal Sky & Telescope.
Hoy vê com bons olhos o debate sobre a nomenclatura. “A estrela é claramente uma estrela. A anã marrom também é claramente uma anã marrom. Agora temos esse novo objeto, que é grande demais para ser uma lua”, diz ele. “A definição do que é uma lua e do que é um planeta é algo ainda bem impreciso”, disse ele à Science News.
Fonte: abril





