O que mudou na responsabilidade das redes sociais sobre o que os usuários postam?
Antes, o Marco Civil da Internet dizia que as plataformas só eram punidas se ignorassem uma ordem judicial. Agora, sob os novos decretos e o entendimento do STF, as empresas podem responder na Justiça assim que receberem uma denúncia de qualquer pessoa sobre conteúdos ilegais, como racismo ou terrorismo, caso não removam o material imediatamente.
Quais são os prazos para a retirada de conteúdos ofensivos contra mulheres?
As regras são bem rígidas: imagens de nudez não autorizada devem ser apagadas em até duas horas após a denúncia da vítima. Para outros casos graves, como ameaças, perseguição e misoginia (ódio contra mulheres), o prazo é de seis horas. Situações gerais de violência digital precisam ser resolvidas em no máximo um dia.
Por que entidades do setor de tecnologia estão preocupadas com a censura?
O receio é a chamada ‘censura colateral’. Como os prazos são curtos e as multas são pesadas, as plataformas podem preferir apagar qualquer conteúdo polêmico ou denunciado em massa, mesmo que seja lícito, apenas para evitar o risco jurídico. Isso acaba silenciando críticas legítimas e debates públicos na internet.
Como essas novas regras afetam as pequenas empresas e startups?
Diferente das gigantes como Google e Meta, as startups e médias empresas de tecnologia não possuem equipes jurídicas imensas ou sistemas automáticos caros para monitorar postagens 24 horas por dia. O custo para cumprir as novas exigências pode se tornar uma barreira que impede o crescimento de novos negócios no Brasil.
Qual é o papel da AGU e da ANPD nesse novo cenário?
O governo deu à Advocacia-Geral da União (AGU) o poder de notificar redes para remover o que considerar ‘propaganda enganosa’ sobre políticas públicas. Se a rede não cumprir, pode ser punida pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Críticos dizem que isso permite ao próprio governo decidir o que é verdade ou mentira sobre suas ações.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
Fonte: gazetadopovo





