Saúde

Comportamento dos Animais durante um Eclipse Solar: Entenda as Razões por Trás desse Fenômeno Curioso

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

Menos de três semanas nos separam do próximo eclipse solar total, que deve alinhar o Sol e a Lua durante alguns minutos do dia 12 de agosto. O fenômeno deve atravessar parte da Europa, passando pela Groenlândia, Islândia, Espanha, e parcialmente atingir o Atlântico Norte e o Norte da África. A magnitude de eventos como esses, além de impressionar, costuma causar um comportamento um tanto estranho nos animais em volta. 

Pássaros param de cantar, primatas tornam-se inquietos e insetos mudam o curso de suas atividades. Em zoológicos, as reações são ainda mais fascinantes. Elefantes, gorilas e flamingos dirigem-se aos seus abrigos, antecipando o descanso habitual do fim do dia. Babuínos amontoam-se e algumas girafas galopam de forma inusitada. Mas por quê?

Até agora, pesquisadores correlacionavam o comportamento ao relógio biológico desses animais. Eles dependem de um ciclo de 24 horas, conhecido como ritmo circadiano, para controlar comportamentos diários como dormir, buscar alimento e caçar. A maioria tem seus ciclos baseados na luz solar – então, quando a escuridão causada pelo eclipse chega, eles tendem a se comportar como se fosse noite. 

A hipótese é bem plausível, claro. Mas um novo artigo publicado na revista Zoo Biology indica que esse não seria o único fator para explicar o fenômeno. 

Na verdade, pode ser que o comportamento estranho durante eclipses solares venha primeiro de nós, humanos. E nossa estranheza, em contrapartida, pode influenciar o comportamento animal. 

Calendário astronômico: o melhor do céu em 2026

Por trás do estudo 

Um grupo de pesquisadores observou um zoológico canadense durante o eclipse solar total que ocorreu em 2024, quando o local estava fechado para visitantes. Curiosamente, a maioria dos animais apresentou poucas reações ao fenômeno celeste. Isso, acreditam os cientistas, se deve a ausência dos humanos.

As exceções foram os macacos-japoneses, que se deslocaram para partes mais altas dos galhos, e as zebras, que tiveram um aumento nos sinais de estresse (mas retornaram ao padrão habitual logo demais). 

A partir disso, os pesquisadores formularam uma nova hipótese. Segundo essa explicação, as reações dos humanos ao eclipse – aplaudindo, vibrando, vestindo óculos especiais e se aglomerando para olhar o céu – pode ter algum efeito sobre os animais.

Um outro grupo, da North Carolina State University, chegou a conclusões similares. Em 2017, o biólogo Adam Hartstone-Rose foi convidado para observar como os animais locais reagiriam ao evento. Naquele dia, o zoológico de Columbia, na Carolina do Sul, estava lotado de visitantes ansiosos para ver o eclipse. 

Ao contrário do que esperava, ele observou muitos comportamentos animais inesperados e incomuns, descritos em um artigo de 2020. À época, ele considerou a possibilidade de que alguns animais poderiam ter se assustado com as pessoas. 

“Os animais que fazem as coisas mais estranhas durante um eclipse, de longe, são as pessoas”, disse Hartstone-Rose à Scientific American. “Não paramos para pensar nisso, mas os animais do zoológico percebem o que está acontecendo com os humanos, assim como os humanos percebem o que está acontecendo com os animais”, observa.

Em 2024, o pesquisador fez um experimento no Zoológico de Fort Worth, no Texas. O público no zoológico era menor do que em 2017, e as reações dos animais foram mais contidas. Já o zoológico de Dallas, segundo ele, sediou um evento maior, com grandes multidões, e os animais reagiram “com muito mais intensidade” durante o eclipse.

Estudar o comportamento animal durante eclipses é uma tarefa difícil. O fenômeno total acontece, em média, a cada 18 meses em algum lugar do planeta, mas é raro passarem pelo mesmo ponto — como é o caso do Brasil, que não vê um eclipse solar total desde 1994. Além disso, eles duram pouquíssimos minutos: o maior eclipse solar deste século deve durar até 6 minutos e 23 segundos. Ele acontecerá em 2 de agosto de 2027 e será visto em uma estreita faixa que passa pelo Norte da África, o extremo sul da Espanha e partes da Península Arábica.

O próximo passo, na opinião de especialistas, seria a padronização da metodologia para avaliar o comportamento dos animais nesses eventos, como definir o que seria fora do comum e criar um plano de fazer observações em diferentes partes do mundo. 

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo