O transporte internacional de cargas na América Latina enfrenta um cenário de forte pressão em 2026, com a demanda crescendo em ritmo superior à capacidade logística disponível. A avaliação consta nos relatórios Ocean Freight Market Update e Air Freight State of the Industry, da DHL Global Forwarding, que apontam uma alta temporada antecipada no setor.
Segundo a empresa, o aumento das tarifas marítimas, a limitação de espaço nos navios e as interrupções nas cadeias globais de abastecimento estão alterando as condições do transporte de mercadorias em diversas rotas internacionais.
“A América Latina atravessa um dos cenários mais dinâmicos dos últimos anos para o transporte internacional de cargas, com uma demanda que cresce em ritmo superior à capacidade disponível”, afirmou Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding para a América Latina.
Transporte marítimo enfrenta maior pressão nas rotas com a Ásia
As rotas entre a Ásia e a América Latina estão entre as mais afetadas pela restrição de capacidade. A ocupação das embarcações chega próxima de 98%, reduzindo a margem de manobra das companhias marítimas para absorver novos volumes de carga.
Outro indicador de pressão é o Índice de Frete de Contêineres de Xangai (Shanghai Containerized Freight Index – SCFI), que está 84% acima do registrado no mesmo período do ano passado.
Nas operações destinadas à Costa Oeste da América Latina, o aumento das tarifas chega a 126%, resultado superior ao observado na média das demais rotas globais.
Entre os fatores que contribuem para o cenário estão congestionamentos portuários, dificuldades operacionais e falta de profissionais qualificados em importantes centros logísticos da China, como Xangai e Ningbo, além de uma gestão mais controlada da capacidade pelas empresas de navegação.
Carga aérea mantém ritmo elevado
O transporte aéreo também registra forte movimentação, principalmente nas operações entre Ásia e América Latina.
De acordo com a DHL Global Forwarding, os volumes transportados nessas rotas cresceram 20% em comparação com maio de 2025. No mesmo período, a média das tarifas apresentou alta de 27%.
A capacidade disponível permanece estável, o que aumenta a pressão sobre algumas rotas internacionais, especialmente aquelas com origem na América do Norte e na Europa e destino a grandes centros latino-americanos, como São Paulo, Santiago e Buenos Aires.
Por outro lado, a ampliação de serviços de carga aérea entre América Latina e Europa tem contribuído para aumentar as alternativas disponíveis e fortalecer a capacidade de resposta das empresas diante das instabilidades do mercado.
Planejamento antecipado ganha importância
Para Erik Meade, a adaptação das empresas ao novo cenário depende de estratégias mais flexíveis e da diversificação das operações logísticas.
“Resiliência, hoje, significa ampliar as alternativas disponíveis. Empresas que diversificam suas fontes de suprimento, adotam estratégias logísticas mais flexíveis e antecipam o planejamento de suas operações estão mais bem posicionadas para manter seus níveis de serviço diante da volatilidade do mercado”, destacou.
A DHL avalia que o setor deve continuar enfrentando restrições de capacidade enquanto a demanda permanecer acima da oferta disponível. Nesse ambiente, o planejamento antecipado e a busca por diferentes opções de transporte passam a ser fatores decisivos para reduzir impactos nas cadeias de abastecimento.
Logística global segue em transformação
O DHL Group, responsável pelas operações da DHL Global Forwarding, atua em mais de 220 países e territórios, oferecendo serviços que incluem transporte aéreo, marítimo, rodoviário, soluções para comércio eletrônico e gerenciamento de cadeias de suprimentos.
A companhia informou que segue investindo em práticas sustentáveis e tem como objetivo alcançar operações logísticas com emissões líquidas zero até 2050.
Fonte: cenariomt





