Poucos alimentos conseguem unir prazer e ciência como o chocolate. Além da sensação de conforto após comer um pedaço, o cacau possui compostos estudados pelos efeitos sobre o cérebro, especialmente relacionados ao humor, memória e concentração.
Seja em barras, bombons, bolos, bebidas e diversas sobremesas, o doce ganhou uma data especial: o Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho.
A data faz referência à chegada do chocolate à Europa e homenageia um dos produtos mais consumidos no mundo.
Mas, além do sabor marcante, pesquisas na área da saúde apontam que o cacau possui compostos que podem influenciar o funcionamento do cérebro, especialmente quando consumido em versões com maior concentração do fruto.
De acordo com o pós-PhD em neurociências Fabiano de Abreu Agrela, os efeitos estão relacionados à presença de substâncias capazes de atuar em mecanismos ligados ao prazer, à cognição e ao bem-estar.
“O chocolate tem algumas propriedades benéficas para o cérebro, especialmente o amargo, que além de melhorar fatores como memória e cognição também estimula neurotransmissores do prazer”, afirma o especialista.
O que acontece no cérebro quando comemos chocolate?
A sensação de prazer após comer chocolate não é apenas uma impressão. O cacau contém compostos que podem estimular a liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina, substâncias relacionadas à sensação de recompensa, motivação e bem-estar.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que muitas pessoas associam o chocolate a momentos de conforto e melhora do humor.
Além disso, chocolates com maior percentual de cacau apresentam flavonoides, compostos antioxidantes estudados por sua relação com a proteção das células contra danos causados pelo estresse oxidativo, processo associado ao envelhecimento celular.
Segundo Agrela, essas substâncias também podem influenciar a circulação sanguínea cerebral.
“Esses compostos atuam diretamente em áreas cerebrais ligadas ao prazer e à motivação, favorecendo a sensação de bem-estar e dando uma maior disposição mental”, explica.
Chocolate pode melhorar memória e concentração?
Um dos pontos estudados pela ciência é a relação entre os flavonoides do cacau e o fluxo sanguíneo no cérebro.
Essas substâncias podem favorecer a produção de óxido nítrico, um composto que ajuda na dilatação dos vasos sanguíneos e pode contribuir para uma melhor circulação de sangue e oxigênio no cérebro.
Na prática, esse mecanismo está relacionado a funções como atenção, memória e velocidade de processamento de informações.
“A melhora da perfusão cerebral pode contribuir para um desempenho cognitivo mais eficiente, especialmente em tarefas que exigem maior concentração”, destaca o especialista.
Qual chocolate é mais saudável?
Apesar dos possíveis benefícios associados ao cacau, nem todos os chocolates possuem a mesma composição.
As versões com maior teor de cacau e menor quantidade de açúcar tendem a concentrar mais compostos bioativos. Por isso, o chocolate amargo costuma ser apontado como a opção com maior potencial de benefícios.
O chocolate ao leite e outras versões mais açucaradas possuem menor concentração de cacau e podem apresentar maior quantidade de açúcar e calorias.
“O chocolate amargo concentra uma maior quantidade de substâncias que atuam diretamente no sistema nervoso, potencializando possíveis benefícios cognitivos e emocionais”, afirma Agrela.
Consumo deve ser moderado
Apesar das propriedades do cacau, especialistas alertam que o chocolate deve fazer parte de uma alimentação equilibrada.
O consumo excessivo de produtos ricos em açúcar e calorias pode aumentar o risco de problemas como ganho de peso, alterações metabólicas e doenças cardiovasculares, fatores que também podem afetar a saúde cerebral.
Por isso, para quem deseja aproveitar melhor as características do alimento, a recomendação é priorizar chocolates com maior percentual de cacau e consumir com moderação.
Fonte: primeirapagina





