Além de registrar recordes bizarros de seres humanos, como as unhas mais longas do mundo, a pele mais elástica e o maior tempo girando uma bola de basquete, o Guinness World Records também reúne grandes feitos do mundo animal.
O livro afirma que o recorde de aranha mais rápida do mundo pertence à espécie marroquina Cebrennus rechenbergi, que atinge até 1,7 metro por segundo. Isso, contudo, é motivo de debate entre os cientistas, pois ela não corre do jeito tradicional. A aranha alcança essa velocidade quando rola e dá cambalhotas em descidas, utilizando um tipo bastante peculiar de locomoção.
Pensando em resolver esse dilema, uma equipe de pesquisadores do Imperial College London, na Inglaterra, e da Universidade de Greifswald, na Alemanha, analisou 236 indivíduos de 162 espécies de aranhas para entender a capacidade de corrida desses animais.
No total, o estudo reuniu informações de representantes de 64 das 139 famílias de aranhas conhecidas.
Com isso, eles identificaram uma nova candidata ao título de aranha mais rápida do mundo: a aranha-huntsman (gênero Heteropoda). Com apenas 3 gramas, ela é nativa de Queensland, na Austrália, e atingiu impressionantes 3,59 metros por segundo – mais que o dobro da velocidade registrada pela aranha marroquina. O recorde, porém, ainda não foi reconhecido pelo Guinness World Records.
Segundo a pesquisa, essa velocidade é possível graças à proporção do seu corpo: grande, mas sem um abdômen pesado demais para as pernas. Após mais investigações, perceberam que o tamanho não é tudo. A evolução também parece ter desempenhado um papel importante, favorecendo adaptações que aumentaram sua velocidade.
Chegar a esse resultado foi um processo demorado, que deu origem a um dos bancos de dados mais completos já produzidos sobre a velocidade de aranhas.
Primeiro, cada um dos aracnídeos foi pesado. Em seguida, eles foram colocados sobre um papel quadriculado para que os cientistas analisassem sua forma de locomoção e velocidade. O papel ficava dentro de uma bandeja com parafina líquida nas paredes, impedindo que as aranhas fugissem. Câmeras registraram todos os movimentos para uma posterior análise biomecânica.
Isso foi mais difícil do que parece. Muitas aranhas simplesmente não queriam correr, nem mesmo após um leve toque com um pincel. Os cientistas tentaram diversas estratégias e, com as mais “mimadas”, precisaram recorrer a pequenos jatos de ar para incentivá-las a se mover.
Os resultados mostraram que aranhas maiores, com pernas mais longas (e não necessariamente mais finas, como muitos imaginavam) tendem a correr mais rápido. Mas, como sempre acontece na natureza, há exceções. Aranhas de tamanhos semelhantes apresentaram velocidades bastante diferentes, justamente por fatores de sua história evolutiva.
“Um bom desempenho na corrida, após considerar o tamanho corporal e a ancestralidade compartilhada, foi associado a pernas relativamente mais longas e, em menor grau, ao grupo ecológico, mas não à esbeltez das pernas ou à preferência por locomoção invertida em vez de ereta”, diz um trecho do estudo, disponível no bioRxiv, ainda sem revisão por pares.
Outra surpresa veio da pequena aranha Oonops pulcher. Com apenas 0,1 miligrama e um corpo muito pequeno, ela atingiu 20 centímetros por segundo, um desempenho excepcional para uma aranha desse tamanho.
Fonte: abril





