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Defesa falha em culpar marido pela morte de advogado: TJ mantém ação

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2026

– A Justiça de Mato Grosso manteve a produtora rural Elenice Ballarotti Laurindo como ré na ação que investiga o assassinato do advogado Roberto Zampieri. A defesa tentou retirar o nome dela do processo alegando que as movimentações financeiras e telefônicas usadas pela acusação eram, na verdade, praticadas pelo marido, Aníbal Manoel Laurindo, mas o pedido foi negado.

A decisão é do juiz convocado Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), e foi publicada nesta quarta-feira (1).

Elenice e Aníbal respondem por homicídio qualificado e organização criminosa. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), os dois foram os mandantes da execução de Zampieri, morto em dezembro de 2023, em Cuiabá.

De acordo com a investigação, o crime foi motivado por uma disputa pela posse da Fazenda Lagoa Azul, em Ribeirão Cascalheira, avaliada em cerca de R$ 100 milhões. O advogado representava a parte contrária no litígio.

O MPE afirma que o casal contratou o grupo conhecido como “Comando C4”, liderado pelo coronel reformado do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, para executar o advogado. Conforme a denúncia, foram pagos R$ 124.250 antes do crime e outros R$ 60 mil após a morte.

A investigação também aponta que, logo depois do assassinato, Caçadini telefonou para um número vinculado a Elenice para informar que o serviço havia sido concluído.

No recurso, a defesa sustentou que Elenice está sendo acusada apenas por ser esposa de Aníbal. Os advogados afirmaram que não há provas de sua participação direta e alegaram que os telefones registrados em nome da produtora eram usados exclusivamente pelo marido.

Também argumentaram que as movimentações bancárias atribuídas a ela foram feitas por Aníbal e que uma transferência de R$ 2 mil via Pix, citada na investigação, ocorreu meses antes do homicídio, sem qualquer ligação com o caso.

Na decisão, o magistrado afirmou que os argumentos da defesa dependem de uma análise mais aprofundada das provas e não justificam o encerramento da ação nesta fase.

Na decisão, ele destacou que a investigação identificou saques de altos valores em contas de Elenice em datas próximas ao planejamento e à execução do crime, além de depósitos para uma empresa ligada a Caçadini.

Outro ponto considerado relevante foi o telefonema recebido por um número associado à produtora logo após o assassinato.

Para o juiz, esses elementos ainda precisam ser analisados durante a instrução do processo e, por isso, não há motivo para excluir Elenice da ação penal neste momento.

A ação

Além de Elenice e Aníbal, também respondem ao processo Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater, todos acusados de integrar uma organização criminosa.

Caçadini, Hedilerson e Antônio já haviam sido denunciados anteriormente por homicídio qualificado e foram pronunciados para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo o Ministério Público, Caçadini financiou o crime, Hedilerson atuou como intermediário e Antônio confessou ter sido o autor dos disparos que mataram o advogado.

Fonte: odocumento

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