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America Invertida, de Torres García: Exposição em Brasília até domingo

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2026

Quem estiver em Brasília tem até este domingo (21) para visitar a exposição Joaquín Torres García – 150 anos, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Com entrada gratuita, a mostra reúne cerca de 500 itens entre pinturas, desenhos, esculturas e documentos que ajudam a compreender a trajetória do artista uruguaio e a influência de suas ideias sobre diferentes gerações de criadores latino-americanos.

Uma das obras mais emblemáticas em exposição é América Invertida (1943), desenho que se tornou símbolo do pensamento do artista. Ao inverter a posição do continente no mapa, Torres García propõe uma mudança de perspectiva: o Sul deixa de ocupar uma posição periférica e passa a ser entendido como topo. O gesto de inverter o mapa inspirou criadores como Hélio Oiticica, Cildo Meireles e Anna Bella Geiger, e segue icônico na atualidade.

Entre as peças mais curiosas estão os juguetes, brinquedos de madeira criados pela família Torres García na década de 1920. Produzidos artesanalmente, eles eram desmontáveis e permitiam múltiplas combinações. 

Outro destaque da exposição são os manuscritos e cadernos produzidos ao longo da vida do artista. Conhecidos como carnets, eles misturam desenhos, anotações e reflexões sobre arte e sociedade. Nesses documentos, aparece um vocabulário visual que se tornaria marca registrada de Torres García. Sóis, peixes e figuras humanas surgem repetidamente, formando um sistema de símbolos em conjunto com as palavras.

Desenho de um mapa da América do Sul invertido, com o Polo Sul no topo. O sol e um navio aparecem à esquerda, a lua e estrelas à direita, e um peixe sobre ondas no centro. As coordenadas S.34º41 W.56º9 estão abaixo do navio. A palavra Ecuador e os números JTG 43 estão à esquerda, e Grabado 57.-Paj 210 na parte inferior

Diálogo com o Brasil

A exposição estabelece conexões entre o pensamento de Torres García e artistas brasileiros de diferentes períodos. Entre os nomes presentes, está o autodidata brasiliense Josafá Neves, que apresenta a série Diáspora, dedicada à ancestralidade afro-brasileira e à memória de Solano Trindade, poeta, pintor e ativista fundamental para a cultura negra no país.

Também integra a mostra o poeta, diplomata e divulgador cultural Luiz Carlos Lessa Vinholes. Sua obra Cinco poemas geométricos aproxima literatura e artes visuais ao dialogar com os princípios geométricos na produção de Torres García.

Ao longo do percurso, trabalhos de artistas como Rubem Valentim, Djanira e Arthur Bispo do Rosário ampliam a conversa sobre identidade. As obras demonstram como questões levantadas pelo uruguaio continuam reverberando na produção artística latino-americana.

Sobre Torres García

Nascido em Montevidéu, em 1874, Torres García construiu uma carreira que passou por Barcelona, Nova York e Paris antes de retornar ao Uruguai. Foi nesse percurso que desenvolveu o chamado Universalismo Construtivo, uma teoria artística que buscava unir geometria e símbolos ancestrais em uma linguagem capaz de ultrapassar fronteiras culturais.

Serviço

Onde? SCES Trecho 02, Lote 22, Edifício Tancredo Neves – Setor de Clubes Sul – Galeria 5 e Pavilhão de Vidro.
Quando? Em cartaz até 21 de junho, das 9h às 21h.
Quanto? Ingressos gratuitos disponíveis no site oficial.

O CCBB Brasília oferece uma van entre a Biblioteca Nacional e o centro cultural de quinta a domingo. O transporte funciona mediante retirada de ingresso gratuito, disponível no site e na bilheteria do CCBB, e realiza saídas da biblioteca entre 13h e 20h, com retornos do CCBB até 21h30. O embarque está sujeito à lotação: capacidade máxima de 10 pessoas.

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Fonte: viagemeturismo

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