O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) determinou que o Ministério Público instaure investigação sobre os novos fatos apresentados pelos partidos União Brasil e MDB contra a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), referente a suposto abuso de poder econômico, fake News e caixa 2 nas eleições de 2024. As siglas apresentaram novas evidências de que a equipe de Moretti teria cometido crimes financeiros na corrida ao paço municipal, como pagamentos em espécie e descumprimento de contratos, tudo sem prestação de contas. A denúncia também pede apuração mais acurada sobre o vídeo em que o marido da prefeita, Carlos Alberto de Araújo, aparece manuseando maços de dinheiro.
No começo de maio, o vídeo de Carlos foi veiculado pela imprensa regional. No material, o primeiro-cavalheiro de VG aparece sentado e cercado por maços de dinheiro. Algumas notas estão envoltas em elásticos de borracha enquanto ele conta, aparentemente, cédulas de R$ 100.
Após vencer as eleições, ainda no período de transição, Flávia Moretti escolheu o marido para compor sua equipe como secretário de Assuntos Estratégicos. No entanto, em 28 de fevereiro de 2025, com quase dois meses de gestão, ele foi exonerado a pedido. Flávia e Carlos contestam a veiculação do vídeo e negam qualquer irregularidade, apontando que o registro seria antigo e descontextualizado.
Uma semana depois que tal material veio à tona, as siglas União Brasil e MDB se manifestaram novamente na Ação de Investigação Judicial Eleitoral ajuizada em março contra Flávia e Tião da Zaeli, seu ex-vice. O pedido é pela cassação de Flávia. Porém, a Justiça Eleitoral, tanto em primeira como em segunda instância, negou provimento à AIJE e manteve a liberal na chefia de VG, em acórdão proferido no último dia 22 de maio. Na mesma decisão, o colegiado acatou os fatos novos apresentados pelos partidos e pediu que o Ministério Público os investigue.
Novas evidências foram levadas à Corte, no contexto do vídeo em que Carlos aparece somando as notas. Trata-se de dois depoimentos prestados à Polícia Federal em 14 de abril por duas pessoas contratadas por Moretti para coordenar atividades da equipe de fiscais do Partido Liberal Comissão Provisória de Várzea Grande, no local de votação, no dia 06/10/2024.
Os dois testemunhos revelaram possível atuação sistemática e ilegal da campanha de Moretti: os fiscais foram contratados, participaram de treinamentos e atuaram no dia da eleição, com pagamento de R$ 250 previsto via PIX. Porém, nos dois casos, o pagamento efetivamente realizado ocorreu no dia seguinte à eleição, em 07/10/2024, em espécie, no valor de R$ 500,00, no comitê do partido em Várzea Grande; receberam também R$ 1.750,00 em espécie para pagar os 7 fiscais coordenados, à razão de R$ 250,00 para cada fiscal; os fiscais receberam posteriormente os valores em sua casa.
Fonte: Olhar Direto





