Saúde

Descubra se seu cachorro é destro ou canhoto: estudo científico revela!

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2026

Por falta de um polegar opositor e outras limitações anatômicas, os cães ainda estão longe de dominar a arte da caligrafia. Ainda assim, eles certamente têm um lado preferido na hora de manusear as coisas.

Assim como seres humanos podem ser destros ou canhotos, cães domésticos também tendem a usar com mais frequência um ou outro lado do corpo para certas atividades. Esse tipo de assimetria – uma característica chamada lateralidade – aparece em boa parte do reino animal, como em macacos, roedores e répteis.

Nos cachorros, essa preferência não se limita apenas ao uso das patas. É comum, por exemplo, que esses animais dêem prioridade a uma das narinas na hora de cheirar. Essa variedade (junto ao fato de que os cães compartilham conosco boa parte do histórico evolutivo) faz desses animais objetos de estudo interessantes para entender como funciona a lateralidade.

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Ao longo dos anos, pesquisadores inventaram vários métodos para medir se cachorros eram destros ou canhotos a partir de diferentes critérios. O experimento mais famoso consiste em posicionar um daqueles brinquedos recheáveis, do tipo que esconde algum petisco, na frente do bicho. Feito isso, basta observar qual pata ele mais usa para mexer no brinquedo.

O problema é que essa preferência não parece ser muito consistente: cães muitas vezes priorizam uma ou outra pata a depender da situação, como para manipular um objeto ou descer um lance de escadas. Sendo assim, os testes feitos até então geralmente chegavam a resultados inconsistentes.

Foi justamente esse problema metodológico que pesquisadores da Universidade de Bari Aldo Moro, na Itália, procuraram resolver. Em um estudo publicado na última quarta-feira (10), os especialistas elaboraram uma nova ferramenta de medição da lateralidade em cachorros. O novo método combina testes já existentes para calcular, a partir de uma escala, se um animal é mais ou menos destro ou canhoto.

Os pesquisadores se inspiraram na psicologia humana. Mais especificamente no Inventário de Edimburgo, uma escala usada desde 1971 para medir a lateralidade em humanos. O diferencial dessa escala é que ela não se limita a categorizar os indivíduos apenas como “destros”, “canhotos” ou mesmo “ambidestros”. Ela olha, também, para o quão destro ou canhoto cada pessoa é.

“Esse aspecto é muito importante porque há evidências de que tanto a direção quanto a intensidade da lateralidade afetam a fisiologia, a resposta imunológica e o comportamento dos cães”, explica o pesquisador Marcello Siniscalchi, em entrevista à Science.

“Por exemplo, há evidências de que cães canhotos são mais ‘pessimistas’ e assumem menos riscos. Eles também parecem ter uma resposta imunológica mais fraca à vacinação contra a raiva. Cães destros que são treinados para conduzir rebanhos de ovelhas exibem comportamento mais agressivo em relação aos animais. E cães ambidestros parecem ter mais medo de tempestades”, complementa.

Os autores criaram o Inventário de “Doginburgh”, combinando dois testes de manipulação com outros dois de locomoção. Para o estudo publicado no periódico Royal Society Open Science, eles testaram o método com 43 cachorros de diversas raças.

O primeiro experimento era o teste do brinquedo recheado. No laboratório, os pesquisadores observaram cada um dos cachorros enquanto eles manipulavam o objeto em busca de petiscos. Depois, em casa, os donos de cada um dos animais gravaram seus bichinhos durante um teste de alcance. Nessa fase, um petisco era colocado embaixo de um sofá ou qualquer móvel elevado, numa distância que o cão não alcançaria com a boca. Dessa forma, ele é forçado a esticar sua patinha preferida para chegar na recompensa.

Posteriormente, os animais passaram pelos testes de locomoção. Em um deles (mostrado no vídeo abaixo), o cão senta comportadamente no topo de uma escadaria, e então era gravado enquanto descia cada um dos degraus. O experimento consistia em observar com qual pata ele daria o primeiro passo. De maneira similar, o outro teste monitorou qual pata cada cachorro usava para descer uma sarjeta, enquanto caminhava ao lado do dono.

 

Contando quantas vezes cada pata foi usada em cada experimento, os cientistas realizaram uma sequência de cálculos para determinar a lateralidade de dos cães testados.

“Utilizamos essas diferentes tarefas para gerar um único índice composto. Antes, tínhamos apenas três categorias: esquerda, direita e ambilateral. Agora, temos cinco categorias: fortemente à esquerda, fracamente à esquerda, ambilateral, fracamente à direita e fortemente à direita”, detalha Siniscalchi.

No final, alguns animais mostraram uma preferência clara por um lado ou outro do corpo. Os canhotos foram maioria: no total, 21 cães tinham uma preferência fraca (10) ou forte (11) pela pata esquerda, contra 13 destros e 9 ambilaterais. Ainda assim, não foi verificada uma tendência geral (em humanos, por exemplo, a tendência é que 90% dos indivíduos sejam destros).

O estudo se trata apenas de uma prova de conceito. Seriam necessárias pesquisas bem maiores, com mais cachorros, para descobrir quais são as tendências gerais da lateralidade da espécie.

“Também estamos trabalhando com gatos, o que é uma história totalmente diferente. Um de nossos estudos mais recentes analisou posições laterais de sono e constatou que dois terços dos gatos preferem dormir sobre o lado esquerdo do corpo”, relatou Sevim Isparta, principal autor do estudo, à Science.

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

Jornalista DRT 0003133/MT - O universo de cada um, se resume no tamanho do seu saber. Vamos ser a mudança que, queremos ver no Mundo