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Análise de fósseis revela escorpião gigante do tamanho de um cachorro

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2026

Hoje, o maior escorpião que existe é o Gigantometrus swammerdami, um gigante com aproximadamente 23 cm de comprimento, marrom-avermelhado, quase preto, que vive nas florestas da Índia. O bicho é grande, claro, do tipo que seria desagradável encontrar escondido no sapato, mas ainda é pequeno o suficiente para levantar com a palma da mão.

Em comparação, alguns dos fósseis de centenas de milhões de anos encontrados na Grã-Bretanha, recém-atribuídos a uma antiga espécie de escorpião, têm um tamanho relativamente parecido. O maior deles tem a aparência de uma placa de rocha, e possui quase 16 centímetros de comprimento.

Não é algo tão impressionante quando colocado ao lado dos gigantes indianos de hoje. Até você perceber que esse fóssil, comparável ao tamanho de uma mão de adulto, é apenas uma das pinças do animal.

Mão masculina com relógio dourado sobre mesa bege, exibindo fósseis e rochas em caixas de museu
Comparação entre mão adulta e a pinça fossilizada do Praearcturus gigas, com 16 centímetros de comprimento. (The University of Manchester/Reprodução)

O Praearcturus gigas foi o maior escorpião que já caminhou pela Terra. Segundo novas estimativas, esse artrópode imenso teria chegado a comprimentos de mais de um metro, próximo ao tamanho de um cão de grande porte. A espécie teria vivido nas várzeas da região que hoje corresponde à Inglaterra e ao País de Gales, entre 415 e 412 milhões de anos atrás.

Os fragmentos fósseis dessa espécie foram descobertos no século 19, e, por mais de 150 anos, ficaram armazenados no Museu de História Natural de Londres. Nunca, porém, esses fósseis foram definitivamente atribuídos a qualquer espécie de artrópode.

Agora, pesquisadores da Universidade de Manchester acabam de submeter esses registros a uma nova análise, confirmando que o Praearcturus era, de fato, um escorpião gigante. Além do tamanho, tendo vivido durante o período Devoniano Inferior, esses animais também estariam entre os primeiros grandes predadores a caminhar pelo planeta.

A revisão foi lançada no dia 2 de junho no periódico Palaeontology. Para desvendar a verdadeira identidade dos registros fósseis, os autores utilizaram técnicas avançadas de fotografia e tomografia computadorizada para analisar todas as dimensões dos fragmentos, com base em imagens de alta definição e modelos 3D. Junto a isso, também compararam os vestígios com descrições mais recentes dos fósseis de outras espécies.

Praearcturus viveu quando a vida em terra firme estava apenas começando e os ancestrais dos répteis, mamíferos e aves ainda não haviam deixado a água. Isso sugere que essa espécie pode ter atingido um tamanho tão grande porque não havia outros grandes predadores, o que lhe permitiu dominar seu ambiente”, afirma, em nota, Richard J. Howard, principal autor do estudo.

Segundo o pesquisador, a espécie difere de outros artrópodes gigantes de períodos posteriores, como a Arthropleura (seres gigantes parecidos com as lacraias) e a Meganisoptera (semelhante a grandes libélulas). Esses animais viveram durante o período Carbônico, quando ecossistemas terrestres já haviam se formado, e se desfrutaram do oxigênio abundante da atmosfera, proveniente das recém-formadas florestas.

O escorpião gigante, porém, surgiu pelo menos 50 milhões de anos antes disso, antes mesmo da evolução das árvores, quando plantas pequenas e fungos ainda começavam a se espalhar pela paisagem. Nesse sentido, “confirmar que esse animal é um escorpião fundamentalmente muda nosso entendimento de como e quando essas criaturas evoluíram para tamanhos tão extraordinários”, diz Howard, em comunicado.

A identidade dos fósseis desses escorpiões permanecia uma incógnita desde o descobrimento de seus primeiros fragmentos, em 1870. Na ocasião, o geólogo Henry Woodward havia considerado outro tipo de artrópode: ele achava que os registros pertenciam a um isópode gigante, um crustáceo semelhante a um tatu-bola. Tanto que, até hoje, o nome da espécie traz um vestígio disso, já que Arcturus é um gênero de isópodes.

Essa ideia só foi ser desafiada nos anos 1980, quando alguns pesquisadores propuseram dar uma nova descrição para a espécie. Sendo um escorpião, não se tratava, então, de um crustáceo, mas sim de um aracnídeo (classe das aranhas, tarântulas, piolhos e escorpiões).

Mas isso não virou ponto pacífico. Até 2024 pesquisadores ainda argumentavam que os fósseis teriam uma afinidade maior com os crustáceos. O principal motivo era a falta de características exclusivas dos escorpiões. Pouco do corpo desses animais havia sobrevivido ao tempo, e partes essenciais como o ferrão ou os órgãos sensoriais do abdômen não existiam mais.

Contudo, em 2015, a descoberta de outra espécie antiga permitiu com que os pesquisadores abordassem a questão por outra perspectiva. O Eramoscorpius foi descrito a partir de um fóssil muito bem preservado, e se tratava claramente de um escorpião.

Fóssil de escorpião marrom escuro em rocha sedimentar clara, com corpo segmentado e cauda longa, mostrando detalhes das patas e pinças fossilizadas
Fóssil do escorpião gigante Eramoscorpius, descrito pela primeira vez em 2015, que serviu para provar que o Praearcturus gigas era, também, um escorpião. (Dunlop & Garwood / PeerJopens / CC BY-SA 4.0/Reprodução)

“Uma característica fundamental de sua anatomia é o esterno, uma estrutura triangular alongada com um sulco que percorre seu centro, localizado na parte de baixo da carapaça”, explica o pesquisador Richard Hudson. “Praearcturus tem idade semelhante à de Eramoscorpius e também possui uma dessas estruturas. Então, isso demonstra que, sem dúvida, Praearcturus deve ser um escorpião.”

Os novos achados, segundo os autores, trazem novas considerações para o entendimento sobre a evolução dos antigos artrópodes. Descobrir a identidade dos fósseis revela pistas a para o momento em que a vida no planeta começou a sair da água para ocupar a terra. Ainda assim, o Praearcturus gigas viveu algo mais próximo de um período de transição.

“Sem ecossistemas complexos que sustentassem Praearcturus em terra, esses animais provavelmente passavam parte de suas vidas caçando na água”, afirma Hudson. “Alguns dos fósseis encontrados no País de Gales mostram que eles possuíam estruturas semelhantes a abas, conhecidas como epímeros, parecidas com as encontradas em lagostas e caranguejos.”

Para Greg Edgecombe, coautor do estudo, os vestígios também sugerem que, ao longo da evolução, o Praearcturus teria voltado para as águas, quando seus ancestrais já haviam completado a transição para a terra.

“As fronteiras entre os artrópodes que viviam em terra e no mar eram pouco definidas quando Praearcturus estava vivo”, Edgecombe diz. “Nossas melhores árvores filogenéticas, baseadas em sequências de DNA, sugerem que os escorpiões são parentes próximos de outros aracnídeos que também têm pulmões foliáceos, como as aranhas. Isso indica que eles descendem de um ancestral que respirava ar.”

Fonte: abril

Sobre o autor

aifabio

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