A recente repercussão de um vídeo que mostra luzes estranhas no céu de Mato Grosso reacendeu a curiosidade sobre um segmento turístico ainda pouco explorado, mas cheio de apelo para quem busca experiências fora do roteiro tradicional: o ufoturismo.
Entre relatos de fenômenos aéreos não identificados, lendas regionais, serras imponentes, cavernas, mirantes e histórias cercadas de mistério, Mato Grosso começa a consolidar um circuito voltado a visitantes interessados na combinação entre natureza, espiritualidade, ciência, curiosidade e imaginação.
O tema ganhou ainda mais visibilidade durante a FIT Pantanal 2026, realizada entre os dias 3 e 7 de junho, em Cuiabá. A feira sediou a II Jornada Brasileira de Ufoturismo, com palestras sobre o potencial turístico dos fenômenos ufológicos e as oportunidades que esse nicho pode abrir para municípios mato-grossenses.
Na programação, destinos como Barra do Garças e Tesouro divulgaram atrativos ligados ao turismo místico e ufológico. Chapada dos Guimarães também foi lembrada entre os lugares associados a narrativas de mistério, energia e paisagens que alimentam o imaginário dos visitantes.
Presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), Ataíde Ferreira da Silva Neto afirma que Mato Grosso reúne características capazes de colocar o Estado em posição de destaque no cenário nacional.
“O Estado é rico em acontecimentos ufológicos. Temos um grande acervo de filmagens e registros desses fenômenos, o que desperta a curiosidade do público e atrai interessados por essa temática”, afirma.
Segundo ele, a relação de Mato Grosso com o tema não é recente. Um dos registros mais antigos remonta a 1846, quando o militar e engenheiro Augusto Leverger relatou ter observado um objeto luminoso no céu enquanto navegava pelo Rio Cuiabá. O episódio foi publicado na Gazeta Oficial do Império do Brasil e é apontado por pesquisadores como a primeira notícia sobre avistamento de um objeto voador não identificado divulgada pela imprensa brasileira.
Para Ataíde, o diferencial de Mato Grosso está justamente na união entre cenários naturais marcantes e narrativas que atravessam gerações.
“Nós temos a Chapada dos Guimarães, a Serra do Roncador, em Barra do Garças, além de lendas e histórias que atravessam gerações. São lugares que unem belezas naturais e uma história cheia de enigmas e mistérios”, destaca.
Barra do Garças no centro do roteiro
Entre os destinos mais conhecidos desse universo está Barra do Garças, município que transformou a fama de terra de mistérios em atrativo turístico. A cidade abriga a Serra do Roncador, frequentemente associada a relatos de fenômenos inexplicáveis, e o Discoporto, estrutura criada a partir de uma lei municipal aprovada em 1995, que reservou uma área no Parque Estadual da Serra Azul para a implantação simbólica de um espaço destinado ao pouso de objetos voadores não identificados.
Jornalista, artista plástico e assessor da Secretaria Municipal de Turismo de Barra do Garças, Genito Santos explica que o município incorporou essa narrativa à sua identidade turística.
“Barra do Garças é considerada um dos pontos de maior incidência de casuísticas ufológicas do Centro-Oeste brasileiro. Temos dois ícones importantes desse segmento: a Serra do Roncador e o Discoporto, que é o único lugar do mundo credenciado por lei para receber naves de outros planetas”, afirma.
De acordo com Genito, o turismo ufológico e o turismo místico caminham juntos na região, atraindo tanto curiosos quanto pesquisadores, aventureiros e viajantes interessados em experiências simbólicas.
“Barra do Garças recebe visitantes de várias partes do Brasil e do exterior que buscam conhecer a Serra do Roncador, suas histórias, seus mistérios e as narrativas relacionadas aos avistamentos de discos voadores”, diz.
A Serra do Roncador, por si só, já é um convite ao turismo de natureza. Com paredões, trilhas, mirantes, cachoeiras e formações rochosas, o local reúne elementos que favorecem diferentes tipos de roteiro: contemplativo, ecológico, fotográfico, místico e de aventura.
De Tesouro à Chapada
Além de Barra do Garças, outras localidades mato-grossenses aparecem no mapa do ufoturismo. Entre elas estão o Morro do Pião, em Tesouro, e a Caverna Aroe Jari, em Chapada dos Guimarães, frequentemente citados em relatos e narrativas associadas ao imaginário ufológico e místico.
Na prática, o segmento dialoga com uma tendência crescente no turismo: a busca por experiências de nicho, capazes de entregar mais do que visitação. São roteiros que unem história, paisagem, curiosidade, memória oral e sensação de pertencimento a uma narrativa.
Para os pesquisadores do setor, esse interesse pode ajudar Mato Grosso a diversificar sua oferta turística, tradicionalmente associada ao Pantanal, à Chapada dos Guimarães, à pesca, ao ecoturismo e à observação de fauna.
“O Estado tem percebido a importância desse nicho de interessados e começado a formar oficialmente iniciativas que atraem esse público. A inclusão do tema na FIT Pantanal demonstra esse movimento”, avalia Ataíde Ferreira.
Genito Santos também acredita que o segmento caminha para ganhar mais organização e reconhecimento dentro do mercado turístico brasileiro.
“É uma modalidade que vem se organizando e ganhando visibilidade. Mato Grosso tem potencial para se tornar uma referência nacional nesse tipo de turismo”, afirma.
Com a força das redes sociais, vídeos de luzes misteriosas no céu acabam funcionando como uma porta de entrada para um tema que mistura curiosidade popular, pesquisa, lendas e turismo. Sem confirmação oficial sobre a origem dos fenômenos registrados, o que se consolida é o potencial de transformar o mistério em experiência turística.
Em Mato Grosso, o céu pode até não entregar todas as respostas. Mas, para quem viaja em busca de natureza, histórias e enigmas, ele já começa a apontar novos caminhos.
Fonte: leiagora




