Quando o assunto é saúde intestinal, a alimentação costuma ocupar o centro das atenções. E com razão: fibras, frutas, legumes, verduras e alimentos minimamente processados ajudam a manter a microbiota equilibrada e favorecem o funcionamento adequado do sistema digestivo.
Porém, o intestino não trabalha isoladamente. Ele faz parte de uma rede complexa que envolve cérebro, hormônios, sistema imunológico e metabolismo. Por isso, hábitos aparentemente distantes da mesa também podem influenciar a digestão, a absorção de nutrientes e até a composição das bactérias que vivem no trato intestinal.
Conheça quatro atitudes que ajudam a cuidar do intestino além da alimentação.
1. Preste atenção ao momento da refeição
Comer diante do computador, responder mensagens enquanto almoça ou engolir a refeição em poucos minutos tornou-se rotina para muita gente. O problema é que a digestão começa antes mesmo da primeira garfada.
A visão dos alimentos, seus aromas e a expectativa da refeição estimulam a produção de saliva e de substâncias digestivas que preparam o organismo para processar os nutrientes. Quando a alimentação acontece de forma apressada ou distraída, essa etapa inicial pode ser prejudicada.
Dedicar alguns minutos para observar e saborear a comida ajuda o corpo a entrar no ritmo adequado da digestão.
2. Mastigue com calma
A digestão não começa no estômago, mas na boca.
A mastigação quebra os alimentos em partículas menores e facilita o trabalho das etapas seguintes do processo digestivo. Quando grandes pedaços chegam ao estômago, o organismo precisa fazer mais esforço para processá-los.
O resultado pode incluir digestão mais lenta, sensação de peso após as refeições e aumento da produção de gases. Mastigar devagar também favorece a percepção da saciedade, o que ajuda a evitar excessos.
3. Mexa o corpo regularmente
Os benefícios da atividade física vão muito além do coração e dos músculos.
O exercício estimula os movimentos peristálticos, contrações naturais que impulsionam o conteúdo intestinal ao longo do trato digestivo. Esse mecanismo contribui para o trânsito intestinal adequado e reduz o risco de constipação.
Além disso, estudos associam a prática regular de exercícios à prevenção de diversas doenças, incluindo problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer, entre eles o colorretal.
Não é preciso ser atleta. Caminhadas, bicicleta, musculação ou qualquer atividade feita de forma consistente já podem trazer benefícios. Uma frequência de três vezes por semana é um bom começo.
4. Cuide da saúde mental
O intestino e o cérebro mantêm uma comunicação constante. Esse sistema, conhecido como eixo intestino-cérebro, ajuda a explicar por que períodos de estresse costumam ser acompanhados de desconfortos digestivos.
Em situações de tensão prolongada, o organismo libera maiores quantidades de cortisol. Em excesso, esse hormônio pode favorecer processos inflamatórios e alterar a composição da microbiota intestinal.
Ansiedade e estresse também estão associados a sintomas como gases, diarreia, dor abdominal e piora de condições como a síndrome do intestino irritável.
A relação funciona nos dois sentidos. Mais de 90% da serotonina produzida pelo organismo é sintetizada no intestino, reforçando a conexão entre saúde digestiva e bem-estar emocional.
Por isso, estratégias como atividade física, momentos de lazer, sono adequado e acompanhamento psicológico quando necessário também podem beneficiar a saúde intestinal.
Cuidar do intestino, afinal, não depende apenas do que colocamos no prato. A forma como vivemos, nos movimentamos e lidamos com o estresse exerce influência direta sobre um dos sistemas mais importantes do corpo.
*Com informações de reportagem publicada em 15/04/2023.
Fonte: uol




