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Museu ao Ar Livre em Cuiabá Vira Ruína: História de uma Área Nobre

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2026

As ruínas e esculturas que viralizaram nas redes sociais após um vídeo publicado pelo influenciador Gabriel Soares fazem parte de um antigo projeto idealizado pelo artista plástico Antônio de Padúa.

Localizado em uma chácara no bairro Ribeirão do Lipa, próximo ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e ao Centro de Eventos do Pantanal, o espaço começou a ser implantado como um museu a céu aberto, mas acabou sendo interrompido antes de ser oficialmente aberto à visitação pública.

Em entrevista ao Primeira Página, Padúa contou que adquiriu a área de aproximadamente 15 mil metros quadrados inicialmente para funcionar como ateliê. Com o passar do tempo, porém, a proposta evoluiu para um projeto cultural que reuniria arte e natureza em um mesmo espaço.

Vídeo publicado por Gabriel Soares revelou esculturas e estruturas do antigo projeto de museu a céu aberto no Ribeirão do Lipa. – Vídeo: Gabriel Soares

“Quando eu comprei, inicialmente seria apenas meu ateliê, mas logo eu pensei em fazer um museu a céu aberto que se chamaria MUSA (Museu Aberto). A princípio seriam disponibilizadas 100 esculturas minhas e depois eu chamaria outros artistas para deixarem suas artes lá também”, relatou.

Segundo o artista, a inspiração veio de grandes espaços culturais do país, como o Parque da Catacumba, no Rio de Janeiro, e o Instituto Inhotim, em Minas Gerais.

Projeto saiu do papel, mas não teve continuidade

Ao contrário do que muitos imaginam ao ver as imagens do local atualmente, o projeto chegou a sair do papel. O terreno recebeu esculturas, instalações artísticas e intervenções espalhadas pela área verde, muitas delas integradas à paisagem natural.

Além das obras assinadas pelo próprio Padúa, o espaço também recebeu contribuições de outros artistas renomados, como Bruno George e Rodrigo Freitas.

O museu ainda estava em fase de implantação quando foi interrompido. Segundo o artista, até mesmo a identificação visual do espaço já fazia parte do planejamento. “Eu já tinha colocado os postes porque ali seria instalada a placa com o nome do museu. O projeto estava acontecendo, mas acabou sendo interrompido”, contou.

Algumas das obras instaladas no terreno permanecem no local até hoje. De acordo com Padúa, parte delas não pôde ser removida por serem estruturas fixas.

Violência fez artista desistir da proposta

De acordo com o artista, a decisão de interromper o MUSA ocorreu após uma onda de violência que atingiu a região na época. “Começou uma onda de violência muito grande naquela área. Eu fiquei preocupado que pudesse acontecer alguma coisa com os visitantes e preferi não continuar”, afirmou.

Padúa ressalta, porém, que a realidade do local é diferente atualmente. Segundo ele, a região se tornou mais tranquila nos últimos anos e o projeto provavelmente teria outro destino se fosse idealizado hoje. “Hoje é um lugar muito tranquilo. Se essa ideia tivesse surgido nos dias atuais, eu acredito que o museu teria sido construído e estaria funcionando”, declarou.

Apesar da interrupção do projeto, boa parte das obras foi transferida para a atual Galeria Padúa, localizada na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá. O novo espaço possui cerca de 2 mil metros quadrados. “Eu consegui levar a maioria das obras para a galeria, mas algumas ficaram porque são fixas e outras porque não havia espaço suficiente”, explicou.

Vídeo levou artista de volta ao espaço

O interesse pelo local ganhou força após um vídeo publicado pelo influenciador Gabriel Soares. Nas imagens, ele percorre a propriedade mostrando esculturas, estruturas de concreto e construções cercadas pela vegetação, cenário que levou muitos internautas a acreditarem que se tratava de um espaço abandonado ou de uma construção misteriosa.

A publicação acumulou milhares de visualizações e despertou a curiosidade dos moradores sobre a origem das obras espalhadas pelo terreno.

Padúa contou que ficou surpreso com a repercussão das imagens. “Eu gostei muito do vídeo e fiquei impressionado com a repercussão. Recebi muitas mensagens de pessoas perguntando sobre o lugar”, disse.

A divulgação também resultou em um convite do atual proprietário para que ele revisitasse a área. O encontro aconteceu no último domingo (31).

Segundo o artista, após a repercussão nas redes sociais, o novo dono realizou uma limpeza no terreno. “Depois que o vídeo viralizou, ele me chamou para visitar o local e aproveitou para fazer uma limpeza na área”, contou.

Embora o imóvel já tenha sido vendido, Padúa afirma que a documentação ainda permanece em seu nome. “O terreno já foi vendido, mas a documentação ainda está no meu nome”, afirmou.

O artista relatou ainda que o atual proprietário pretende desenvolver um empreendimento voltado para a área da saúde, mas as características do terreno impõem limitações para construções de grande porte. “A intenção dele é fazer uma área voltada para clínica, mas o terreno é muito acidentado. Não é permitido fazer obras de grandes proporções naquele espaço”, explicou.

Hoje, as esculturas remanescentes e as estruturas espalhadas pela propriedade são os vestígios de um projeto cultural que chegou a ganhar forma no Ribeirão do Lipa.

O que muitos internautas interpretaram como ruínas abandonadas é, na verdade, parte do MUSA, um museu a céu aberto idealizado por Antônio de Padúa que começou a ser implantado, recebeu obras de diferentes artistas, mas acabou interrompido antes de abrir oficialmente as portas ao público.

Fonte: primeirapagina

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