Em meio ao crescimento global do mercado de luxo sustentável, uma marca nascida em Cuiabá tem chamado atenção ao unir alta marcenaria, bioeconomia e conservação ambiental em peças exclusivas de madeira maciça. Criada em 2023, a Biomê surgiu da união entre o olhar autoral do design e décadas de experiência em gestão ambiental.
De acordo com a empresa, mais do que produzir móveis de alto padrão, a marca aposta em um propósito: mostrar que é possível transformar a floresta em oportunidade econômica sem abrir mão da conservação ambiental.
Toda a matéria-prima utilizada pela Biomê é proveniente do manejo sustentável da Amazônia boliviana, na região de Ribeiralta, além do aproveitamento de madeiras de resgate que seriam descartadas.
Segundo o fundador da Biomê, Marcelo Aquino, a proposta da empresa nasceu justamente da necessidade de conectar sustentabilidade, geração de renda e valorização humana.
“A gente acredita que, para valer a pena fazer essa exploração sustentável, precisa inserir em toda a cadeia as pessoas que vivem no entorno da floresta. Desde a busca pela matéria-prima até a produção aqui em Cuiabá, tudo passa pelas mãos dessas pessoas”, afirma.
A produção artesanal é um dos pilares da marca. Cada peça é feita manualmente, preservando as marcas naturais da madeira e reforçando a identidade única de cada móvel. Para a Biomê, o verdadeiro luxo está justamente naquilo que não pode ser reproduzido em escala industrial.
“A gente não perde a essência daquilo que é natural. É isso que faz sentido para a Biomê. Posso até repetir a forma do móvel, mas nunca o desenho da madeira. Cada peça tem uma identidade própria, como se fosse uma impressão digital”, destaca Marcelo.
Mãos que protege
O conceito “Mãos que Protegem” também resume a filosofia da empresa. A ideia é valorizar todos os profissionais envolvidos no processo, desde as comunidades que atuam no manejo sustentável até os artesãos responsáveis por transformar a matéria-prima em mobiliário.
“São essas mãos que fazem a Biomê. Desde quem encontra essas peças raras na floresta até quem trabalha aqui na indústria transformando isso em móvel. A gente só consegue construir algo através de várias mãos”, explica o empresário.
A preocupação ambiental, segundo Marcelo, vai além do discurso. A Biomê mantém rastreabilidade completa da madeira utilizada em suas peças, permitindo identificar a origem da matéria-prima e o plano de manejo responsável pela extração.
“Hoje a única forma de manter a floresta em pé é através de uma exploração sustentável. A gente utiliza aquilo que está disponível no momento e conserva o restante para o futuro”, afirma.
O posicionamento da marca acompanha uma tendência crescente no mercado internacional de luxo consciente, em que exclusividade e responsabilidade ambiental caminham juntas.
Durante participação no Salone del Mobile, em Milão, a empresa percebeu que o interesse dos compradores estrangeiros estava diretamente ligado à origem da madeira.
“O mercado de alto padrão cobra responsabilidade ambiental. Isso deixou de ser diferencial e virou condição”, conta Marcelo.
Com peças que carregam a identidade da floresta amazônica e produção artesanal feita em Cuiabá, a Biomê aposta na criação de móveis que atravessem gerações e transformem memória, natureza e design em legado.
Fonte: primeirapagina




