O gosto pelo doce é praticamente instintivo, nasce com a gente. Mas, ao longo da vida, o excesso pode virar um problema silencioso. O consumo elevado de açúcar está diretamente associado ao aumento do risco de doenças crônicas, como obesidade e diabetes tipo 2, duas das condições mais prevalentes hoje.
Embora seja um carboidrato e funcione como fonte de energia, o açúcar refinado entra na categoria das chamadas calorias vazias: fornece energia, mas não entrega nutrientes relevantes como fibras, vitaminas ou minerais. Por isso, não é considerado essencial na dieta.
Vale lembrar que o açúcar não está só nos doces. Ele aparece naturalmente em alimentos como frutas, leite e cereais, mas também é amplamente adicionado a produtos industrializados para melhorar sabor, textura e conservação.
No organismo, todos os carboidratos acabam sendo utilizados principalmente na forma de glicose, essencial para funções como a atividade cerebral, o que reforça que o problema não é o carboidrato em si, mas o excesso e a qualidade das fontes.
As recomendações atuais indicam que carboidratos complexos devem compor a maior parte da dieta, entre 45% a 60% (fibras). Alguns exemplos são grãos integrais (aveia, arroz integral), leguminosas (feijão, lentilha), tubérculos (batata-doce, inhame) e vegetais. Já os açúcares simples devem representar no máximo 10% das calorias diárias.
O que a sua saúde ganha com menos açúcar
Reduzir o consumo de açúcar —especialmente o adicionado— não exige radicalismo, mas traz efeitos rápidos e cumulativos.
- Você se sente mais leve
Dietas com alto consumo de açúcar (100 g/dia), especialmente de bebidas açucaradas, estão associadas ao aumento da gordura corporal, enquanto a redução desse consumo pode levar à diminuição do peso e da gordura acumulada.
Além disso, quanto maior o consumo de açúcar, maior a substituição de alimentos nutritivos por opções calóricas e pobres em nutrientes, aumentando o risco de sobrepeso e obesidade.
- Você protege os dentes
O açúcar não é o único responsável pelas cáries, mas atua como um dos principais fatores que favorecem seu desenvolvimento. Reduzir a ingestão ajuda a diminuir o risco de lesões dentárias, dor e complicações associadas, com impacto ainda mais relevante em crianças.
- Você reduz o risco cardiovascular
O excesso de açúcar está ligado ao aumento de doenças como infarto e AVC. Isso acontece porque o consumo elevado contribui para obesidade, o que afeta o colesterol, os triglicerídeos e a pressão arterial.
Ao reduzir a ingestão, especialmente de bebidas açucaradas, há melhora nos marcadores metabólicos e redução do risco de eventos cardiovasculares ao longo do tempo.
- Você previne doenças metabólicas
Embora nenhum nutriente isolado explique tudo, o açúcar tem papel importante. O consumo excessivo está associado a alterações metabólicas que favorecem doenças como diabetes, hipertensão e dislipidemia.
Com menos açúcar, o organismo tende a:
- acumular menos gordura, inclusive em órgãos como o fígado;
- controlar melhor os níveis de glicose;
- manter peso e perfil lipídico mais estáveis.
Esse conjunto reduz o risco de complicações graves no futuro.
Outros nomes do açúcar no rótulo
Nem sempre ele aparece como “açúcar”. Em produtos industrializados, pode surgir disfarçado como:
- Açúcar invertido;
- Frutose;
- Xarope de milho;
- Dextrose;
- Glucose;
- Maltose;
- Maltodextrina.
Reconhecer essas variações é essencial para evitar o consumo excessivo sem perceber.
Como reduzir sem radicalismo
Cortar totalmente não é necessário e nem recomendado. O caminho é o equilíbrio:
- Priorize alimentos naturais e evite ultraprocessados;
- Reduza o açúcar adicionado em bebidas como café, sucos e chás;
- Prefira frutas como sobremesa;
- Troque cereais açucarados industrializados por opções integrais, como aveia;
- Beba mais água e diminua refrigerantes;
- Leia rótulos com atenção para escolhas mais conscientes;
- Opte por iogurtes naturais e adicione frutas;
- Use temperos naturais no lugar de molhos industrializados.
*Com informações de reportagem publicada em 02/05/2023.
Fonte: uol




