O Poder Judiciário manteve a decisão que altera o nível de isolamento de uma das lideranças mais temidas de uma facção criminosa com forte atuação no norte do estado. Por unanimidade, a Justiça de Mato Grosso rejeitou os recursos apresentados pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelo Ministério Público Federal (MPF), confirmando a retirada de Leonardo dos Santos Pires, conhecido nos quartéis e delegacias pelos apelidos de “Sapateiro” ou “Maresias”, do sistema penitenciário federal.
Com o esgotamento dos recursos na segunda instância nesta última sexta-feira (15), os advogados do detento dão andamento aos trâmites administrativos para providenciar a transferência do preso para uma das alas de segurança do sistema prisional mato-grossense. O criminoso, apontado como uma das principais vozes de comando do Comando Vermelho (CV) na região de Sinop, acumula um histórico penal que ultrapassa 245 anos de reclusão em condenações unificadas.
Líder de facção acumula mais de 200 anos de pena por execuções brutais no norte do estado
O histórico de violência atribuído ao réu assusta pela crueldade das execuções coordenadas e executadas em Sinop, cidade considerada polo logístico para a rota do tráfico de entorpecentes. Atualmente, Leonardo ainda tem exatos 218 anos de cadeia pendentes de cumprimento. Entre as sanções definitivas que pesam contra o faccionado, destacam-se três homicídios qualificados de imensa repercussão social ocorridos nos últimos anos.
A ficha de crimes de grande repercussão que sustentam as condenações do detento inclui:
- Caso Marina Azevedo: Assassinato de uma adolescente grávida de 17 anos, crivada de balas junto com o namorado;
- Caso Luiz Ney: Execução sumária a tiros do comerciante Luiz Ney da Silva, alvejado dentro do próprio estabelecimento;
- Caso Willian Santana: Sequestro, tortura e morte do ex-jogador de futebol Willian Santana após boatos de rua;
- Ordens de Dentro da Cela: Histórico de comando de ataques e execuções de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE).
Falta de provas em ameaça a Fórum e perda de prazo pelo Estado motivaram retorno de “Sapateiro”
O relator do processo, magistrado Rui Ramos Ribeiro, fundamentou o acórdão que negou a permanência do detento no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) federal com base em duas falhas técnicas. O primeiro ponto foi a absolvição de Leonardo em um processo que apurava pichações com ameaças de morte gravadas nos muros do Fórum de Sinop, por total falta de provas materiais. O segundo fator foi a perda do prazo legal de dois anos por parte do Estado para solicitar a renovação da vaga na ala federal de segurança máxima.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) monitora com atenção o retorno de “Sapateiro” para solo estadual. O criminoso havia sido enviado para a penitenciária federal justamente após relatórios de inteligência comprovarem que ele burlava os bloqueadores de celular da PCE, em Cuiabá, para ditar ordens de assaltos e cobranças de dívidas de drogas nas ruas do interior. A defesa do réu optou por não emitir manifestações públicas sobre o desfecho do julgamento.
| Dossiê Prisional do Faccionado | Situação Processual e Penal (2026) |
|---|---|
| Nome e Vulgo | Leonardo dos Santos Pires (“Sapateiro” / “Maresias”) |
| Total das Penas | Mais de 245 anos de condenação (218 anos restantes) |
| Decisão da Justiça | Retorno imediato para uma unidade prisional comum de MT |
| Área de Atuação | Liderança de facção criminosa na região de Sinop e norte do estado |
O retorno de um dos principais chefes de facção criminosa de Mato Grosso para um presídio estadual acende um sinal de alerta máximo no setor de inteligência policial, já que grandes líderes costumam retomar o controle do crime quando saem do isolamento das penitenciárias federais. Você considera que a Justiça agiu de forma correta ao aplicar rigidamente os prazos da lei e determinar o retorno do preso para o estado, ou acredita que criminosos perigosos com mais de 200 anos de condenação deveriam permanecer isolados em presídios federais de segurança máxima por tempo indeterminado para evitar a articulação de novos ataques de dentro das celas locais? Deixe sua opinião nos comentários.
Fonte: cenariomt




