Saúde

Mães se unem em busca de respostas para desaparecidos no Brasil

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2026

O desaparecimento de pessoas segue como uma das crises mais dolorosas enfrentadas por milhares de famílias brasileiras. Em 2025, o país registrou 84.760 casos de desaparecimentos, segundo dados citados por familiares e grupos de apoio que atuam na busca por respostas.

No Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), mulheres que convivem com a ausência dos filhos reforçam pedidos por mais visibilidade, investigação e acolhimento. Muitas delas convivem há anos com a incerteza e transformaram a dor em mobilização social.

Clarice Cardoso, de 27 anos, vive na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal (MA), e busca pelos filhos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4. As crianças desapareceram em janeiro deste ano após saírem para brincar perto de casa. Um primo que estava com eles foi localizado.

A mãe conta que a rotina da família mudou completamente desde então. Segundo ela, qualquer ligação recebida gera esperança de uma nova pista sobre o paradeiro das crianças.

Além da angústia, Clarice relata enfrentar preconceito e julgamentos durante as buscas. Ela afirma que, em algumas situações, percebe atitudes discriminatórias quando procura informações na cidade ou em órgãos públicos.

A Polícia Civil do Maranhão informou que todas as linhas de investigação seguem em apuração e que trabalha para esclarecer o caso.

Redes de apoio fortalecem famílias

A criação de grupos de apoio se tornou uma alternativa para muitas mães que enfrentam o desaparecimento de filhos. Uma das iniciativas mais conhecidas é o grupo Mães da Sé, criado pela ativista Ivanise Espiridião, de 63 anos.

Ela procura pela filha Fabiana desde dezembro de 1995, quando a adolescente tinha 13 anos. Ao longo de quase երեք décadas, Ivanise passou a acolher outras famílias e ajudar na orientação de pessoas que enfrentam situações semelhantes.

Atualmente, o grupo reúne mais de seis mil mães em todo o país. Entre as ações desenvolvidas está o uso do aplicativo Family Faces, que utiliza reconhecimento facial para auxiliar na localização de desaparecidos.

Ivanise alerta que não existe exigência legal para esperar 24 horas antes de registrar um desaparecimento. Pela legislação brasileira, o boletim de ocorrência deve ser feito imediatamente, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes.

A Lei nº 11.259 determina que a polícia inicie as buscas assim que a ocorrência for registrada.

Impactos emocionais

Especialistas destacam que o desaparecimento de um familiar provoca consequências emocionais profundas. A psicóloga Melânia Barbosa, pesquisadora da área, afirma que a ausência sem respostas costuma gerar ansiedade, depressão e crises de pânico.

Segundo ela, o acolhimento psicológico e o suporte emocional são fundamentais para que familiares consigam enfrentar o sofrimento prolongado causado pela incerteza.

A pesquisadora também avalia que profissionais da saúde mental ainda precisam de mais capacitação para lidar com casos relacionados a desaparecimentos.

Esperança mantida ao longo dos anos

A paulista Lucineide Damasceno, de 60 anos, também integra o Mães da Sé. O filho dela, Felipe, desapareceu em 2008, aos 16 anos, após sair de moto para encontrar um amigo.

Desde então, Lucineide passou a atuar no acolhimento de outras famílias e criou uma organização social voltada ao apoio de parentes de desaparecidos em situação de vulnerabilidade.

Mesmo após quase duas décadas sem respostas, ela afirma que mantém a esperança de reencontrar o filho. Todos os anos, a mãe continua colocando presentes para Felipe embaixo da árvore de Natal, na expectativa de um reencontro.

Para as famílias, manter viva a memória dos desaparecidos é também uma forma de resistência e busca por justiça.

Fonte: cenariomt

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