Mato Grosso

Garimpo ilegal ameaça Região do Xingu, em Mato Grosso e Pará: saiba mais

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2026
Mesmo após operações de fiscalização, o garimpo ilegal segue avançando em Terras Indígenas na Amazônia. É o que revela um estudo divulgado pelo Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com iniciativas internacionais de monitoramento ambiental.

A análise mostra que a atividade garimpeira permanece ativa de forma contínua na Bacia do Xingu, área que abrange territórios nos estados de Mato Grosso e Pará. Apenas entre janeiro e setembro de 2025, pelo menos 335 hectares foram desmatados em decorrência da mineração ilegal, indicando que ações pontuais de combate não têm sido suficientes para conter o problema.
O estudo reúne dados de plataformas como MAAP (Monitoring of the Andes Amazon Program), SiRAD X e Amazon Mining Watch, que utilizam imagens de satélite, radar e inteligência artificial para detectar alterações na floresta. Os resultados mostram padrões persistentes de expansão do garimpo ao longo dos últimos anos.
De acordo com o levantamento, entre 2018 e 2024, cerca de 11,5 mil hectares de floresta foram destruídos em Terras Indígenas e áreas protegidas da região do Xingu. A Terra Indígena Kayapó concentra a maior parte dos impactos, com aproximadamente 7.940 hectares degradados. Já as Terras Indígenas Baú e Kuruaya também apresentam avanço significativo da atividade ilegal.
Além do desmatamento, o garimpo ilegal provoca contaminação de rios por mercúrio, perda de biodiversidade e aumento de conflitos nos territórios indígenas. A região analisada integra um dos maiores corredores contínuos de áreas protegidas do planeta, essencial para a regulação climática e a conservação ambiental.
Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de ações permanentes e coordenadas por órgãos como o Ibama e a Funai, além do fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção territorial.
O relatório também destaca que, apesar de operações recentes de combate ao garimpo, a retomada das atividades ilegais ocorre de forma recorrente, evidenciando fragilidades na fiscalização contínua.
A publicação integra uma série de estudos sobre pressões ambientais na Amazônia e deve subsidiar o debate sobre estratégias mais eficazes para conter o avanço do garimpo ilegal, proteger os povos indígenas e preservar um dos principais patrimônios ambientais do planeta.

 

Fonte: Olhar Direto

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