Não é só o Cruzeiro do Sul: o céu todo está invertido. Um decreto de 1889 estabelece que as constelações “devem ser consideradas como vistas por um observador situado fora da esfera celeste”. Em outras palavras, todas as constelações estão espelhadas na bandeira nacional.
Essa “esfera celeste” é metafórica. Ela considera que todas as estrelas estariam costuradas em um pano gigante no céu, e que seria possível virar o tecido para vê-lo do avesso. Na realidade, tal visão não existe.
O céu invertido aparece desde a primeira proposta de bandeira nacional. Ela foi apresentada por Raimundo Teixeira Mendes quatro dias após a Proclamação da República, em 19 de novembro de 1889. Teixeira Mendes era filósofo e divulgador das ideias positivistas de Auguste Comte, que valoriza o conhecimento científico como forma de atingir o progresso.

A bandeira foi criticada logo após sua divulgação, em especial pela disposição aparentemente errada das estrelas do Cruzeiro do Sul. Teixeira Mendes publicou textos justificando suas escolhas estéticas e filosóficas para o estandarte nacional. Segundo o filósofo, era preciso representar um céu “idealizado”, como se visto a partir do infinito. Dessa forma, as constelações aparecem invertidas.
A disposição das estrelas na bandeira corresponde ao céu do Rio de Janeiro às 8h30 do dia 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República. Quando um estado da federação é criado, uma nova estrela é adicionada à bandeira seguindo essa regra.
Mesmo assim, a distância entre as estrelas na bandeira não é proporcional ao que é visto no céu – se fosse assim, elas ficariam muito próximas entre si e comprometeriam o design e estética do estandarte.
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Curiosidade: outros países que trazem o Cruzeiro do Sul em suas bandeiras são a Austrália, Papua Nova Guiné, Samoa e Nova Zelândia (apesar de esta última excluir a estrela Epilson, a menos brilhante das cinco). O Brasil é o único país em que a constelação aparece invertida na bandeira.
Nas Armas Nacionais da República, por outro lado, o Cruzeiro do Sul aparece em sua disposição original como vista da Terra, com a Epilson representada à esquerda.

Pergunta de Felipe G. Nishimura, via email
Fonte: abril





