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O impacto duradouro do Legado de Olavo de Carvalho: como influencia a busca por eleitores em 2026

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2026

Vídeos antigos, trechos de aulas e registros de publicaçÔes nas redes sociais do filósofo Olavo de Carvalho continuam circulando intensamente em posts de candidatos, influenciadores e outros nomes ligados à direita. Esse material vem sendo reutilizado como instrumento de disputa política e, mais especificamente, como estratégia para atrair e consolidar eleitores conservadores às vésperas das eleiçÔes de 2026.

Mais de quatro anos apĂłs a morte do filĂłsofo, Olavo de Carvalho segue sendo tratado como uma referĂȘncia central para setores da direita brasileira. Com a proximidade do calendĂĄrio eleitoral, diferentes atores polĂ­ticos buscam legitimar suas posiçÔes por meio de recortes de falas e textos do professor – muitas vezes fora de contexto ou reinterpretados conforme a conveniĂȘncia do discurso.

Para o cientista polĂ­tico Luiz Ramiro, doutor em CiĂȘncia PolĂ­tica, Olavo ocupa um papel intelectual que a direita brasileira nĂŁo conseguiu estruturar institucionalmente. “A direita nĂŁo tem um cabedal do pensamento consolidado, como a esquerda tem, por exemplo, no ambiente universitĂĄrio. A direita acaba ficando um pouco perdida e fez do Olavo quase um substituto dessas ausĂȘncias. Ele se tornou o intelectual que poderia ser consultado, alguĂ©m capaz de servir como referĂȘncia para balizar determinadas falas”, avalia.

Ao longo de sua trajetĂłria, Olavo elogiou publicamente alguns alunos que ganharam visibilidade no debate polĂ­tico nacional, como Filipe Martins, FlĂĄvio Gordon e Rafael Nogueira. No entanto, nĂŁo deixou a nenhum deles a posição de herdeiro intelectual direto. Com sua morte e a ausĂȘncia de uma sucessĂŁo claramente estabelecida, o legado de Olavo de Carvalho passou a ser apropriado por diferentes atores polĂ­ticos, muitas vezes de forma fragmentada e atĂ© contraditĂłria.

Para Ramiro, as ideias acabam sendo “contrabandeadas”. “Qualquer pensador precisa ser lido no texto e no contexto. Em que momento ele disse isso? Em que circunstĂąncia polĂ­tica? O problema Ă© que o Olavo falou coisas diferentes em momentos diferentes, e hoje se usa uma parte ou outra para justificar posiçÔes opostas”, afirma.

“Quando vocĂȘ pega sĂł o recorte, sĂł a imagem, sĂł aquela fala especĂ­fica, perde-se o contexto daquilo que foi dito. E aĂ­ sobra mais a imagem do que o pensamento propriamente dito”, complementa Ramiro.

Especialistas avaliam que legado de Olavo deve perdurar por muitos anos

O doutor em Comunicação PolĂ­tica Paulo Moura avalia que a influĂȘncia polĂ­tica de Olavo de Carvalho tende a ser duradoura, sobretudo por continuar impactando a formação de ideias no campo polĂ­tico conservador. Isso porque a filosofia, ĂĄrea de Olavo, se ocupa justamente da raiz dos problemas da sociedade.

“E foi exatamente isso que marcou a passagem de Olavo de Carvalho: ele ia à raiz dos problemas e tinha a capacidade de antecipar acontecimentos, de dizer coisas que iam acontecer e acabaram se confirmando. Isso tende a tornar o pensamento político dele perene”, aponta.

“Se observamos o legado que ficou, ele Ă© citado muitas vezes por essa capacidade de leitura da realidade, de dizer coisas que ainda iriam acontecer e que acabaram se confirmando. NĂŁo falo isso em sentido religioso, mas no sentido da leitura polĂ­tica e filosĂłfica que ele fazia do mundo”, acrescenta Moura.

O cientista político Antonio Flávio Testa, doutor em Sociologia, concorda. “Eu considero o pensamento do Olavo de Carvalho muito atual, especialmente no que diz respeito à educação, à política brasileira e ao jogo geopolítico internacional. Ele fez críticas profundas ao sistema educacional do país que continuam válidas enquanto essa realidade não mudar”, afirma.

Para Testa, Olavo foi um dos primeiros pensadores a tratar temas que permanecem no centro do debate mundial. “As reflexĂ”es que ele fez sobre comunismo, liberdade, controle social e disputas de poder global continuam extremamente atuais. Por isso, nĂŁo creio que ele vĂĄ ser esquecido tĂŁo cedo. Ao contrĂĄrio, acho que seu pensamento tende a ser cada vez mais interpretado e atualizado por outras pessoas”, reforça.

Apoio de Olavo ajudou a impulsionar Bolsonaro em 2018

Durante a campanha presidencial em 2018, Olavo de Carvalho utilizou suas redes sociais para manifestar apoio a Jair Bolsonaro. Esse respaldo ajudou o entĂŁo candidato a atrair votos de setores conservadores e de parte do eleitorado identificado como intelectual da direita.

Nos primeiros meses de governo Bolsonaro, a influĂȘncia de Olavo se consolidou na indicação de dois nomes alinhados ao seu pensamento para a posição de ministro: Ernesto AraĂșjo, da pasta de RelaçÔes Exteriores; e Ricardo VĂ©lez RodrĂ­guez, do MinistĂ©rio da Educação. VĂ©lez, contudo, permaneceu cerca de quatro meses no cargo e foi substituĂ­do por Abraham Weintraub, tambĂ©m aluno de Olavo.

Os especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo afirmaram que nĂŁo Ă© possĂ­vel mensurar com precisĂŁo o impacto direto do filĂłsofo nas decisĂ”es do governo Bolsonaro, mas, nos bastidores, circularam relatos de que VĂ©lez teria perdido o cargo apĂłs crĂ­ticas pĂșblicas feitas por Olavo. Com o passar do tempo, o prĂłprio filĂłsofo passou a se distanciar do governo e, posteriormente, retirou seu apoio de forma contundente.

A ruptura ocorreu, sobretudo, por Olavo considerar que a presença de militares no governo gerou um abandono de pautas centrais da campanha, que incluĂ­am a oposição ao aborto e a transferĂȘncia da embaixada do Brasil em Israel.

Em junho de 2020, em um vĂ­deo publicado nas redes sociais, o filĂłsofo chegou a atacar duramente o entĂŁo presidente. “Esse pessoal nĂŁo consegue derrubar o seu governo? Eu derrubo! Continue inativo, continue covarde. Eu derrubo essa merda desse governo, acovilhado por generais covardes ou vendidos. Eu nĂŁo sei o que Ă© pior, ser covarde ou vendido”, afirmou.

Fonte: gazetadopovo

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