Mesmo com a recente recuperação das cotações no Rio Grande do Sul, o mercado brasileiro de arroz continua operando com baixa liquidez, refletindo um cenário de cautela e desencontro entre produtores e compradores. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o ritmo de negociações segue lento, marcado por estratégias defensivas dos agentes.
Os produtores, ainda concentrados nos trabalhos nas lavouras, mantêm postura cautelosa e evitam fechar negócios, à espera de preços mais atrativos. Já do lado da demanda, compradores têm priorizado o consumo de estoques internos, adotando uma postura mais conservadora diante das incertezas sobre a oferta e os custos da matéria-prima.
Esse desalinhamento entre oferta e demanda contribui diretamente para a baixa liquidez observada no mercado, mesmo em um momento de recuperação pontual dos preços.
Importações disparam e reforçam abastecimento
Enquanto o mercado interno segue travado, as importações ganharam força significativa em março. Dados da Secretaria de Comércio Exterior apontam que o Brasil importou 176,1 mil toneladas de arroz no período, um avanço de 55,67% em relação a fevereiro e de cerca de 70% na comparação com março de 2025.
O volume representa o maior patamar desde julho de 2024, evidenciando a busca por alternativas mais competitivas no mercado externo para garantir o abastecimento interno.
Exportações também avançam no mês
As exportações brasileiras de arroz também apresentaram desempenho positivo em março, somando 240,7 mil toneladas. O resultado representa crescimento de 12,1% frente ao mês anterior e expressiva alta de 78,79% na comparação anual.
O volume embarcado é o maior dos últimos três meses, indicando que, apesar da lentidão nas negociações internas, o Brasil segue ativo no comércio internacional do cereal.
Cenário de incerteza segue no curto prazo
O comportamento recente do mercado de arroz mostra um cenário ainda indefinido, com agentes cautelosos e dependentes de fatores como evolução da safra, dinâmica dos estoques e competitividade externa. A tendência, segundo o Cepea, é de continuidade desse ambiente de negociações mais lentas no curto prazo, até que haja maior clareza sobre oferta e preços.
Fonte: cenariomt





