Saúde

Empresas no Combate à Violência de Gênero: Um Papel Central a ser Assumido

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

Empresas desempenham papel crucial no enfrentamento da violência contra mulheres, atuando em prevenção, intervenção e acolhimento. A avaliação foi feita nesta terça-feira (31) pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, no Rio de Janeiro.

Rosa destacou que o setor produtivo deve promover mudanças culturais que combatam as causas do alto número de feminicídios no país. No Brasil, seis mulheres são mortas diariamente, segundo o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, do Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina.

Em evento com grandes empresas públicas e privadas, liderado pela Petrobras e pelo Banco do Brasil, Rosa afirmou que a violência de gênero não pode se restringir a leis mais duras após o crime. O foco deve estar na prevenção e na criação de ambientes de trabalho livres de violência.

“Das empresas, o que se espera é a prevenção, a intervenção, o acolhimento, o suporte”, afirmou Rosa.

O evento, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio, também defendeu que empresas estendam práticas de combate à violência à sua cadeia de fornecedores. Rosa classificou a omissão no tema como falha ética, criticando corporações que desestimulam denúncias, expõem vítimas ou não punem agressores.

“É preciso, óbvio, combater a cultura interna permissiva a qualquer forma de assédio ou de violência”, disse.

O secretário propôs que mulheres participem ativamente da construção de políticas internas, reforçando que a mudança cultural depende de ações cotidianas e concretas. O Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio, que inclui governo e sociedade civil, é citado como exemplo de iniciativa conjunta essencial para romper o ciclo de violência.

Exemplos de ações empresariais

Luiza Trajano, fundadora da Magazine Luiza, apresentou o Canal Mulher, criado para apoiar funcionárias vítimas de violência doméstica. A iniciativa oferece suporte psicológico e jurídico e foi aperfeiçoada com um botão de denúncia no aplicativo da empresa, acionando imediatamente o 180.

“Nós fizemos um pacto, treinamos também homens para identificar e lidar com essa situação, e nunca mais a nossa empresa vai perder uma mulher por essa violência”, disse Trajano.

Ela elogiou o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio e reforçou a necessidade de engajar homens na prevenção da violência.

Campanhas e conscientização

Wania Sant’Anna, presidenta do Pacto de Promoção da Equidade Racial, afirmou que empresas podem educar e conscientizar a sociedade sobre a inaceitável violência contra mulheres. A recomendação é que cada organização utilize seu espaço e comunicação para reforçar a causa, seja em postos de combustíveis, transportes ou aeroportos.

Monica Gregori, da ONU, destacou o papel das corporações em combater violências institucionais, promovendo mecanismos de prevenção e conscientização sobre assédio moral e sexual.

“As empresas podem adotar mecanismos de prevenção, desde conscientização, em relação à violência de gênero, pois o feminicídio é o último ponto dessa violência”, afirmou Gregori.

A primeira dama, Rosângela Lula da Silva, reforçou a necessidade de apoio empresarial a iniciativas que criminalizem a misoginia, especialmente nas redes sociais, e citou o impacto de discursos de ódio e conteúdos misóginos na escalada da violência contra mulheres.

Papel da mídia

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ressaltou seu papel na formação de opinião e no debate sobre violência de gênero. O diretor-presidente Andre Basbaum destacou ações na TV Brasil e em coberturas jornalísticas que contribuem para conscientizar a população.

Antonia Pellegrino, diretora de Conteúdo e Programação da EBC, reforçou que a mídia influencia o imaginário social, criando caminhos que podem transformar realidades e promover mudanças culturais importantes.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.