O Brasil ampliou as importações de fertilizantes em fevereiro, reforçando o abastecimento para as próximas safras e garantindo uma margem de segurança ao produtor rural. No período, o país internalizou 2,38 milhões de toneladas, volume superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, quando foram importadas 2,29 milhões de toneladas.
Os dados constam em levantamentos baseados na plataforma Comex Stat e em análises do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento, que apontam um movimento consistente de compras externas ao longo dos últimos meses. O resultado de fevereiro figura como o segundo maior volume mensal da série histórica, sinalizando que, até recentemente, havia uma estratégia ativa de antecipação por parte dos produtores.
No recorte logístico, o porto de Paranaguá liderou a entrada de fertilizantes, com 0,71 milhão de toneladas, acima das 0,61 milhão registradas no mesmo período de 2025. Na sequência aparecem o Porto de Santos, com 0,51 milhão de toneladas, e os portos do Arco Norte, com 0,35 milhão, ambos também com crescimento em relação ao ano anterior.
Apesar do reforço no abastecimento, o cenário internacional traz preocupações relevantes. As tensões no Oriente Médio têm provocado instabilidade no mercado global de fertilizantes, com reflexos diretos no agronegócio brasileiro. Há relatos de aumento nos preços de insumos como ureia e nitrato de amônia, além da redução de ofertas por parte de alguns países exportadores, diante das incertezas geopolíticas.
Esse contexto amplia o risco estrutural de oferta, especialmente para o Brasil, que depende fortemente das importações. Entre janeiro e dezembro de 2025, o país importou 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes, frente a um consumo estimado em 51,7 milhões, evidenciando a elevada exposição a oscilações externas.
Fatores adicionais agravam o cenário, como a redução da produção de nitrogenados no Catar, restrições na navegação no Estreito de Ormuz e a maior volatilidade nos mercados de energia. Esses elementos, combinados, podem pressionar ainda mais os custos de produção agrícola nos próximos meses.
Diante desse ambiente, o avanço das importações observado em fevereiro representa um alívio momentâneo, mas não elimina os riscos. O comportamento do mercado internacional seguirá sendo determinante para o planejamento das próximas safras, exigindo atenção redobrada de produtores e agentes do setor.
Fonte: cenariomt





