Saúde

Ultraprocessados: impacto na saúde e hábitos alimentares no Brasil

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026

O consumo de alimentos ultraprocessados no Brasil mais que dobrou desde a década de 1980, passando de 10% para 23% das calorias ingeridas pela população. O crescimento segue uma tendência global e foi analisado em estudos publicados na revista científica The Lancet, com participação de mais de 40 pesquisadores, liderados por cientistas da Universidade de São Paulo (USP).

O conceito de ultraprocessados surgiu justamente na USP, em 2009, a partir de pesquisas conduzidas pelo epidemiologista Carlos Monteiro. O objetivo era compreender o aumento de obesidade, sobrepeso e doenças crônicas associadas ao alto consumo de alimentos industrializados.

A partir desse trabalho, foi criada a classificação NOVA, que divide os alimentos em quatro grupos: in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários processados, alimentos processados e ultraprocessados. Estes últimos incluem produtos como refrigerantes, biscoitos recheados e bebidas açucaradas.

Segundo Monteiro, a mudança no padrão alimentar não pode ser atribuída apenas a escolhas individuais. O sistema alimentar atual favorece o consumo desses produtos, tornando-os mais acessíveis e estimulando seu consumo frequente.

O tema será abordado no programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, que exibe nesta segunda-feira (30), às 23h, o episódio Ultraprocessados na Mesa dos Brasileiros. A produção apresenta a origem do conceito, formas de identificação desses produtos e os impactos sociais e na saúde.

Além disso, a reportagem mostra exemplos de mudanças de hábitos alimentares e iniciativas como a de uma escola em Águas Lindas de Goiás, que prioriza alimentos naturais dentro do Programa Nacional de Alimentação Escolar.

Dados da Fiocruz Brasília e do Nupens indicam que o consumo de ultraprocessados gera um custo superior a R$ 10 bilhões por ano ao sistema de saúde e à economia brasileira. Estudos também apontam que até 57 mil mortes anuais poderiam ser evitadas com a eliminação desses produtos da dieta.

Apesar dos alertas, a recente reforma tributária não incluiu a maioria dos ultraprocessados no imposto seletivo, criado para desestimular produtos nocivos. Apenas bebidas açucaradas foram contempladas com tributação adicional, cuja regulamentação ainda depende de legislação complementar.

Especialistas defendem que, além de medidas fiscais, educação alimentar e controle da publicidade são essenciais para reduzir o consumo. Estratégias semelhantes já foram aplicadas com sucesso no combate ao tabagismo.

Organizações também alertam para os impactos nas crianças, cujo desenvolvimento pode ser comprometido pelo consumo precoce desses alimentos, aumentando o risco de doenças ao longo da vida.

Casos reais ilustram essa preocupação. Um adolescente de 13 anos, acompanhado em Brasília, conseguiu reverter um quadro de pré-diabetes após mudanças na alimentação e prática de atividades físicas, com apoio familiar e orientação profissional.

O avanço dos ultraprocessados na dieta brasileira segue como um dos principais desafios de saúde pública, exigindo ações integradas entre governo, especialistas e sociedade.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.