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Chikungunya: 7ª morte confirmada em MS e 46% dos óbitos no Brasil relacionados à doença

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2026

Mais uma morte por Chikungunya foi registrada em Mato Grosso do Sul, elevando o número para sete no estado. Somente em 2026, em todo país foram contabilizados, até o momento, 15 vítimas fatais, o que representa 46% dos casos. 

A vítima mais recente era moradora de Jardim, tinha 83 anos, e possuía comorbidades como hipertensão, obesidade e cardiopatia. 

De acordo com dados divulgados pela Secretaria Estadual da Saúde, a paciente procurou atendimento no Hospital Marechal Rondon, no dia 17 de março, apresentando dor de cabeça, no corpo e falta de apetite. No dia seguinte, foi realizada a coleta de exames laboratoriais.

Já no dia 20 de março, a vítima precisou ser internada e, três dias depois, foi transferida para o Hospital de Coxim. Devido à complicação do caso, a vítima não resistiu e morreu no dia 25. 

Maior incidência do país

Conforme números apresentados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou, até o momento, 21,6 mil casos prováveis, com 15 mortes confirmadas. A incidência a nível nacional é de 10,2. 

Quando os dados são detalhados em Mato Grosso do Sul o cenário se mostra mais preocupante. O estado já contabiliza 3,5 casos prováveis e 7 mortes, com incidência de 122,7. 

À reportagem, a secretária-adjunta de saúde do estado, Christinne Maymome, confirmou que Dourados já declarou situação de emergência, e outros 11 municípios estão em alerta. 

“É importante o controle dos reservatórios nas residências. As equipes de saúde estão em alerta exatamente no diagnóstico diferencial dos casos de arbovirose, aquilo que é dengue e aquilo que é chikungunya”, ressaltou.

Ao ser questionada se MS vai declarar estado de emergência, pontuou que tudo vai depender da evolução da doença na região.

“Nós estamos, enquanto isso, atuando em diversas frentes.No manejo clínico, preparando as equipes para fazer o diagnóstico diferencial e também a estarem preparadas para conduzir esses casos. A partir do momento que o paciente entra na unidade básica de saúde ou no hospital, estamos também com todas as equipes mobilizadas para o controle vetorial”, afirmou. 

Epidemia

Segundo o infectologista Julio Croda, para que uma doença seja considerada epidêmica, é necessário atingir ao menos 300 casos prováveis por 100 mil habitantes. Esse índice ainda não foi alcançado em todo o estado, mas já foi ultrapassado em diversos municípios.

Ao todo, são 3.058 casos prováveis, com incidência de 110,9 notificações a cada 100 mil habitantes. Em apenas três meses de 2026, Mato Grosso do Sul já registra o segundo maior número de casos desde 2015, quando o monitoramento da doença começou. O recorde ainda pertence a 2025, com 14.148 casos prováveis.

Apesar de o estado ainda não atingir, no geral, o patamar para ser classificado como epidemia, a incidência é a maior do país, à frente de Goiás e Rondônia, ambos com 84,4 casos por 100 mil habitantes.

De acordo com boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o MS soma 1.452 casos confirmados e seis mortes pela doença, cinco em Dourados e uma em Bonito.

Municípios em situação de epidemia

A situação mais crítica se concentra em cidades do interior, principalmente na região sul e norte do estado. Em alguns casos, a incidência ultrapassa 2 mil casos por 100 mil habitantes.

Entre os municípios em epidemia estão:

Município Casos Prováveis População Incidência
Fátima do Sul 485 20.609 2.353,3
Jardim 270 23.981 1.125,9
Sete Quedas 117 10.994 1.064,2
Vicentina 43 6.336 678,7
Selvíria 46 8.142 565,0
Corumbá 399 96.268 414,5
Antônio João 35 9.303 376,2
Guia Lopes da Laguna 35 9.939 352,1
Bonito 74 23.659 312,8
Água Clara 52 16.741 310,6
Douradina 17 5.578 304,8

Dourados

Apesar de concentrar a maioria das mortes, Dourados ainda não era considerada área de epidemia até o último boletim estadual, divulgado em 25 de março, quando registrava 553 casos prováveis e incidência de 227,2 por 100 mil habitantes.

No entanto, um novo informe epidemiológico divulgado neste domingo (29) pela Secretaria Municipal de Saúde elevou o cenário de alerta. O município passou a registrar 2.201 casos prováveis, com incidência de 904,3 por 100 mil habitantes, índice que já configura situação epidêmica.

Agravamento

Segundo Julio Croda, a tendência é de aumento no número de casos nas próximas semanas, especialmente até o início de maio, período marcado pela sazonalidade da doença.

O especialista também alerta que o padrão pode se repetir em 2027, com alta circulação do vírus entre os meses de janeiro e abril.

Mortes por chikungunya em MS

As seis mortes confirmadas no estado envolvem diferentes faixas etárias:

  • Dourados: mulher, 69 anos — 25/02/2026;
  • Dourados: homem, 73 anos — 09/03/2026;
  • Dourados: bebê, 3 meses — 10/03/2026;
  • Dourados: mulher, 60 anos — 12/03/2026;
  • Bonito: homem, 72 anos — 19/03/2026;
  • Dourados: bebê, 1 mês — 24/03/2026;
  • Jardim: idosa, 83 anos – 25/03/2026.

As autoridades de saúde reforçam a importância da eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da chikungunya, além da busca por atendimento médico ao surgimento de sintomas.

Fonte: primeirapagina

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