A prestação de socorro de urgência em Mato Grosso enfrenta um de seus momentos mais críticos. A Assembleia Legislativa (ALMT) convocou oficialmente para o dia 7 de abril uma reunião de caráter emergencial com representantes do Governo do Estado para tratar da crise institucional e operacional que atinge o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). O encontro ocorre após uma onda de denúncias sobre demissões em massa e a possível redução drástica de equipes de salvamento.
A reunião será conduzida pela Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social, com a presença confirmada de secretários de Estado. A data coincide com a antecipação da sessão ordinária do Parlamento, ajustada em função do feriado em Cuiabá, demonstrando a prioridade dada ao tema. O presidente da Casa de Leis reforçou que o SAMU é um serviço essencial e “vital”, sublinhando que qualquer interrupção ou precarização pode custar vidas.
Protestos e o impacto das exonerações no front de atendimento
A gravidade da situação ficou evidente durante a última sessão legislativa, que foi marcada por uma forte mobilização de trabalhadores do SAMU nas galerias do Plenário. Condutores de ambulâncias, enfermeiros e técnicos de enfermagem protestaram contra a dispensa repentina de dezenas de servidores, o que, segundo a categoria, inviabiliza a escala de plantões em diversas bases.
Relatos de profissionais indicam que o sistema já operava no limite, enfrentando um déficit crônico de pessoal que foi severamente agravado pelas recentes exonerações. Entre os riscos imediatos listados por especialistas e parlamentares, destacam-se:
- Desfalque em bases operacionais: Unidades que deveriam contar com suporte avançado operando com equipes incompletas ou apenas com suporte básico;
- Aumento no tempo de resposta: O intervalo entre a chamada via 192 e a chegada da ambulância pode sofrer atrasos fatais devido ao menor número de veículos nas ruas;
- Sobrecarga das unidades hospitalares: Sem o atendimento pré-hospitalar eficiente, pacientes chegam em estados mais graves aos prontos-socorros, pressionando ainda mais o sistema de saúde;
- Suspensão de serviços em bairros periféricos: Áreas mais afastadas dos centros urbanos podem ficar desassistidas em horários de pico.
Gestão da Saúde sob fogo cruzado
A crise no SAMU levanta um debate profundo sobre o planejamento e a gestão da saúde pública em Mato Grosso. Especialistas em saúde coletiva alertam que o atendimento de emergência exige profissionais altamente treinados e protocolos rígidos, que não podem ser substituídos ou eliminados sem um plano de transição robusto.
Representantes sindicais afirmam que o impacto já é sentido pela população em regiões populosas, onde o tempo de espera por uma viatura tem excedido os padrões internacionais de segurança. “Não se faz economia com o serviço que decide quem vive e quem morre em um acidente ou infarto”, desabafou um dos líderes do movimento durante o protesto na Assembleia.
Parlamentares cobram reversão das demissões
Diversos deputados utilizaram a tribuna para fazer apelos diretos ao Poder Executivo. A cobrança é clara: a revisão imediata das exonerações e a garantia de que o serviço não sofra solução de continuidade. A expectativa é que a reunião do dia 7 de abril resulte em um termo de compromisso ou na suspensão dos cortes até que uma auditoria sobre as reais necessidades do serviço seja concluída.
A Assembleia Legislativa garantiu que manterá o acompanhamento direto de cada decisão tomada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), tratando o caso como a prioridade máxima da agenda de saúde deste semestre.
Espaço do Leitor: Você ou algum familiar já precisou do SAMU recentemente? Notou alguma demora ou dificuldade no atendimento? Sua opinião é fundamental para medirmos o impacto real dessa crise. Comente abaixo e compartilhe sua experiência!
Fonte: cenariomt





