Quais mudanças têm sido percebidas nos rios que abastecem o Pantanal? Essa foi uma das questões centrais debatidas durante uma expedição fluvial que percorreu o Rio Manso e reuniu moradores ribeirinhos em Chapada dos Guimarães.
O deputado estadual Wilson Santos participou de um encontro com pescadores e moradores da comunidade Padilha após uma travessia de aproximadamente 28 quilômetros pelo rio. O trajeto começou no Rancho do Mano e terminou na localidade ribeirinha, onde a comitiva ouviu relatos da população sobre as condições ambientais e sociais da região.
Expedição fluvial ouve moradores da região
A iniciativa integra a 3ª expedição fluvial de fiscalização, voltada à observação direta das condições do rio e ao levantamento de denúncias, sugestões e preocupações da comunidade. Durante a reunião, os participantes foram convidados a relatar os principais desafios enfrentados no dia a dia.
Segundo o parlamentar, a proposta é reunir informações para encaminhamento às autoridades e ampliar o debate sobre a preservação das nascentes e cursos d’água que abastecem o Pantanal.
“Precisamos olhar os rios de perto e ouvir quem vive aqui. É nas regiões mais altas que nascem as águas que alimentam a planície pantaneira”, afirmou.
Debate sobre hidrelétricas e alternativas energéticas
Durante o encontro, o deputado voltou a manifestar posição contrária à instalação de novas hidrelétricas no Rio Cuiabá. Ele citou estudos técnicos que classificam a bacia hidrográfica como área sensível para barramentos.
De acordo com avaliações da Agência Nacional de Águas, a região está em zona considerada crítica para esse tipo de empreendimento. Para o parlamentar, a expansão de fontes alternativas poderia ser uma solução mais sustentável.
Ele também destacou que Mato Grosso possui potencial elevado para geração de energia solar, considerada menos agressiva ao meio ambiente.
Preocupação com pesca e mudanças no rio
Pescadores da comunidade relataram diminuição na quantidade de peixes nos últimos anos, fator que tem impactado diretamente a renda das famílias que dependem da atividade pesqueira.
Entre as preocupações apontadas pelos moradores estão:
- redução da população de peixes no rio;
- mudanças no curso natural das águas;
- desaparecimento de bancos de areia que formavam praias naturais;
- registro de peixes com odor incomum.
Outro tema abordado foi a aplicação da Lei do Transporte Zero, que restringe o transporte de pescado. Segundo pescadores, a norma também tem afetado a dinâmica da pesca local.
Fiscalização ambiental e diálogo com a comunidade
Representantes da Polícia Militar Ambiental presentes na reunião explicaram que as ações de fiscalização buscam garantir o cumprimento da legislação ambiental. A população também foi orientada sobre a possibilidade de registrar denúncias e reclamações junto à ouvidoria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
Para lideranças locais, a presença da expedição contribui para ampliar o diálogo entre autoridades e moradores. A visita também foi vista como oportunidade para discutir projetos comunitários e demandas da agricultura familiar.
Levantamento de estruturas ao longo do rio
Durante o percurso da expedição fluvial, foram identificados cerca de 130 tablados ao longo dos 28 quilômetros navegados. Essas estruturas também devem ser analisadas no relatório final da iniciativa.
A expedição continuará passando por outros municípios da região, incluindo Rosário Oeste, Nobres, Santo Antônio de Leverger, Acorizal, Cuiabá, Várzea Grande, Barão de Melgaço e Poconé. O objetivo é ampliar o levantamento ambiental e fortalecer o diálogo com comunidades que dependem do Rio Cuiabá.
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Fonte: cenariomt






