Uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, nesta quinta-feira (26), debateu as falhas estruturais na rede de proteção às mulheres e os dados alarmantes de feminicídio no estado.
O encontro, que reuniu parlamentares, especialistas e movimentos sociais no Auditório Milton Figueiredo, serviu para apresentar o relatório preliminar da Câmara Setorial Temática (CST), instituída em outubro de 2025 para diagnosticar lacunas nas políticas públicas de gênero.
O relatório destaca a urgência de formalizar a rede de proteção, apontando que a falta de protocolos integrados entre os órgãos dificulta a interrupção do ciclo de violência antes que ele chegue ao desfecho fatal.
Durante o debate, parlamentares e especialistas, como a defensora pública Rosana Leite, enfatizaram que o feminicídio possui raízes culturais profundas, exigindo não apenas leis, mas uma formação adequada das forças de segurança e uma maior presença feminina no planejamento e execução de patrulhas especializadas.
Raio-X da violência letal em Mato Grosso
Os dados apresentados durante a audiência evidenciam que a residência continua sendo o local de maior risco para a mulher mato-grossense, expondo a fragilidade do ambiente doméstico. O levantamento estatístico atualizado revela um cenário crítico:
- Histórico Recente (2019-2025): 338 feminicídios registrados, com média de 48 casos por ano.
- Cenário Atual (2026): 4 novos casos já contabilizados este ano, elevando o total histórico recente para 342.
- Perfil do Crime: 65% das ocorrências aconteceram dentro de residências e 71% dos autores eram parceiros íntimos.
As instituições presentes, incluindo o Ministério Público e a Secretaria de Segurança Pública, concordaram que a prevenção precisa ser o foco central das próximas ações. O relatório final da CST, previsto para ser entregue no fim de abril, deverá oferecer diretrizes concretas para que o Estado consiga atuar de forma preditiva, identificando o “crime anunciado” e garantindo que o acolhimento à vítima seja uniforme e eficiente em todos os municípios.
Fonte: cenariomt





