A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) promoveu, nesta quinta-feira (19), um encontro técnico com representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para discutir o funcionamento do Prodes, sistema responsável pelo monitoramento do desmatamento nos biomas brasileiros por meio de imagens de satélite.
O evento reuniu produtores rurais, especialistas e representantes do setor produtivo para esclarecer dúvidas sobre o uso dos dados do sistema e debater os impactos das informações do Prodes em operações de crédito, relações comerciais e acesso a mercados nacionais e internacionais.
Monitoramento influencia crédito e comércio agrícola
Durante a abertura, a pesquisadora e coordenadora de gabinete do INPE, Lúbia Vinhas, destacou que o monitoramento realizado pelo instituto tem impacto direto na atividade rural e, por isso, o diálogo com os produtores é fundamental.
“O dado que produzimos interessa diretamente ao produtor. As informações do Prodes são utilizadas para comprovar conformidade ambiental e podem influenciar decisões de bancos, tradings e compradores. Nosso objetivo é explicar como o monitoramento é feito e mostrar que estamos cumprindo uma missão institucional, não atuando contra o produtor”, afirmou.
Prodes é referência no monitoramento do desmatamento
Um dos painéis apresentou a evolução do Prodes desde sua criação, em 1984, destacando mudanças metodológicas, avanços tecnológicos e o uso de imagens de satélite cada vez mais precisas.
O sistema se tornou referência nacional e internacional no acompanhamento do desmatamento, sendo utilizado por órgãos públicos, instituições financeiras e empresas para avaliar a regularidade ambiental de propriedades rurais.
Durante a apresentação, técnicos explicaram como os dados são gerados, interpretados e disponibilizados, além de orientar produtores sobre a forma correta de utilizar as informações.
Produtores podem contestar dados e corrigir inconsistências
Especialistas do INPE também abordaram situações em que produtores identificam divergências nos apontamentos do Prodes e explicaram quais procedimentos devem ser adotados para contestação.
O coordenador do programa Biomas BR, Cláudio Almeida, ressaltou que o monitoramento é uma ferramenta estratégica para o próprio setor produtivo.
“O produtor precisa demonstrar regularidade ambiental para acessar mercados e crédito. O monitoramento contribui para isso. Esse diálogo é importante para esclarecer dúvidas e também para que possamos entender as dificuldades enfrentadas no campo”, disse.
Orientações práticas foram apresentadas aos produtores
A vice-coordenadora do programa Biomas BR e pesquisadora do INPE, Silvana Amaral Campel, apresentou orientações sobre quais dados devem ser consultados no Prodes e como verificar se a propriedade está de acordo com exigências ambientais.
Segundo ela, também foi explicado como o produtor pode solicitar revisão de informações.
“Mostramos quais dados devem ser utilizados para verificar restrições de crédito ou exigências de conformidade ambiental. Em caso de discordância, o produtor pode interagir com a plataforma e solicitar análise ou correção de ocorrências”, explicou.
Famato destaca importância do alinhamento com instituições financeiras
O gerente jurídico da Famato, Rodrigo Bressani, afirmou que o encontro foi importante para alinhar o entendimento entre produtores, técnicos e agentes financeiros.
Segundo ele, os dados do Prodes passaram a ter grande peso em decisões relacionadas a crédito rural e contratos comerciais, o que aumenta a necessidade de clareza sobre a forma como as informações são utilizadas.
“Os apontamentos do Prodes têm sido usados como base para restrições de crédito e exigências de conformidade. Por isso, é fundamental que produtores e instituições financeiras compreendam corretamente esses dados. O encontro serviu para esclarecer dúvidas e aproximar as partes”, disse.
Uso correto das informações é essencial
Durante o evento, também foi destacada a importância do uso responsável dos dados públicos, já que as informações do Prodes estão disponíveis para toda a sociedade.
Segundo a Famato, a aplicação inadequada desses dados pode gerar interpretações equivocadas e impactar diretamente a atividade produtiva, reforçando a necessidade de diálogo permanente entre produtores, órgãos técnicos e instituições financeiras.
A entidade avalia que encontros como esse contribuem para aumentar a segurança jurídica no campo e fortalecer a confiança entre o setor produtivo e os órgãos responsáveis pelo monitoramento ambiental.
Fonte: cenariomt





