O Ramadã é o nono e mais sagrado mês do calendário islâmico, marcado por um período de 29 a 30 dias de jejum diário, oração, caridade e profunda reflexão espiritual. A data celebra a revelação do Alcorão ao profeta Maomé e representa um tempo de renovação da fé e fortalecimento da relação com Deus.
Diferente do calendário gregoriano, o calendário muçulmano é lunar, composto por 12 luas e cerca de dez dias a menos que o calendário oficial. O Ramadã começa com o avistamento da lua nova, que marca o início do mês sagrado.
Durante esse período, os muçulmanos adultos e com plena saúde jejuam diariamente do amanhecer ao pôr do sol, aproximadamente das 4h25 até 18h15. Nesse intervalo, os fiéis se abstêm de comer, beber (inclusive água), fumar e manter relações sexuais. O objetivo do jejum vai além da disciplina física: trata-se de um exercício de submissão a Deus, empatia com os mais necessitados e purificação espiritual.
Segundo Hassan Salim, presidente da Mesquita de Cuiabá, o Ramadã é um mês especial de adoração, piedade e perdão. “É um mês em que se abrem as portas do paraíso e se fecham as portas do inferno. Todo muçulmano deve aproveitar muito esse período para renovar sua fé e seu coração”, explica.
Além do jejum, os muçulmanos mantêm as cinco orações diárias obrigatórias, realizadas ao longo do dia — antes do nascer do sol, ao meio-dia, à tarde, ao crepúsculo e à noite. No Ramadã, há uma mobilização ainda maior para que essas orações sejam feitas em conjunto na mesquita, especialmente a oração da madrugada, por volta das 4h50, e a oração da noite, que se inicia às 20h.
A caridade também é um dos pilares do mês sagrado. Pessoas que não podem jejuar por motivos de saúde, gestantes ou mulheres que estejam amamentando estão dispensadas do jejum. No entanto, quem deixar de jejuar deve alimentar uma pessoa necessitada para cada dia não cumprido, conforme orientação prevista no Alcorão.
O Ramadã é também um período dedicado à leitura completa do Alcorão, à busca pelo perdão, tanto divino quanto humano, e à prática da generosidade. A intenção é fortalecer valores como compaixão, humildade e solidariedade.
Embora seja uma tradição islâmica, o jejum também está presente em outras religiões. Judaísmo e cristianismo possuem práticas semelhantes, como a Quaresma observada por cristãos ortodoxos, que também realizam períodos prolongados de abstinência.
Mais do que privação, o Ramadã representa um tempo de transformação interior. É um convite à reflexão sobre as próprias atitudes, ao fortalecimento da fé e à busca por uma vida mais alinhada aos princípios espirituais.
Fonte: primeirapagina






