Antes da existência de aeroportos modernos, Cuiabá já recebia aviões e muitos deles pousavam diretamente nas águas do Rio Cuiabá. Essa curiosa fase da história da aviação na capital mato-grossense começou ainda no início do século passado e ajudou a conectar a cidade com o restante do país.
O primeiro registro da presença de aeronaves em Cuiabá ocorreu em 1929, quando uma pista improvisada foi montada na região que hoje corresponde ao bairro Campo Velho, na época formado por chácaras. Ali pousou o biplano Avro Avian Cirrus III, pilotado pelo capitão aviador Antônio Reinaldo Gonçalves e pelo aviador Vasco Cinquini. O voo foi experimental, mas marcou o início de uma nova era para a cidade.
Na década de 1930, os aviões começaram a chegar com mais frequência. Como ainda não existia um campo de pouso estruturado em terra, a solução encontrada foi utilizar o próprio Rio Cuiabá como pista. Assim surgiram os pousos de hidroaviões, aeronaves equipadas para decolar e aterrissar na água.
Diversas personalidades que fizeram parte da história de Mato Grosso viajaram nesses aviões. Entre elas estavam o interventor federal Júlio Müller e o engenheiro Cássio Veiga de Sá, que registrou parte dessas memórias em relatos históricos sobre a cidade.
A importância desses voos era tão grande que a própria Ponte Júlio Müller, inaugurada em 1942, foi projetada com um vão central mais alto e amplo. O objetivo era permitir a passagem tanto de embarcações quanto dos hidroaviões que utilizavam o rio como rota de pouso.
Com o avanço da infraestrutura aérea, essa realidade começou a mudar. No final da década de 1930 e início dos anos 1940, foi construído um campo de aviação na região onde hoje está localizada a Vila Militar. Anos depois, na década de 1950, o Aeroporto Marechal Rondon passou a operar, consolidando o transporte aéreo em terra firme.
Com isso, os hidroaviões deixaram de ser utilizados como meio regular de transporte para Cuiabá. Ainda assim, eles ficaram marcados na memória da cidade como símbolos de uma época em que o Rio Cuiabá também servia de pista para aviões.
Hoje, essa história curiosa ajuda a revelar como a capital mato-grossense se conectou ao mundo antes mesmo da chegada dos aeroportos modernos.
📚 Para saber mais
Quem quiser se aprofundar nesse capítulo da história de Cuiabá pode recorrer a duas obras que registram esse período:
- “O Aeroporto, o Rio e a Cidade”, de Valmir Ferreira dos Santos, que percorre toda a história da aviação em Cuiabá.
- “Memórias de um Cuiabano Honorário (1939–1945)”, de Cássio Veiga de Sá.
Fonte: primeirapagina






