Quem já ouviu relatos saudosos de Carnaval, provavelmente já se surpreendeu com uma pessoa mais velha contando da euforia do lança-perfume. A substância chegou aqui no começo do século 20 como um perfume corporal e, aos poucos, virou brinquedo dos bailes carnavalescos. O “cheirinho”, como também era chamado, era lançado livremente em todo o ambiente ou aplicado em um pano que deveria ser inalado.
Como havia chegado ao país como um cosmético inofensivo, o lança era legalizado e produzido em grandes fábricas. No início, não era tão claro que ele também tinha efeitos psicoativos potencialmente perigosos.
A inalação do lança-perfume provoca uma sensação imediata de euforia, exaltação, tonturas e diminuição do juízo crítico. A onda é curta e passa em alguns minutos, o que estimula que o usuário repita a operação.
O uso pode causar parada cardíaca, asfixia, arritmias, paranoia e morte súbita, além de lesões neurológicas permanentes. Em 1961, após algumas mortes por ataques cardíacos provocados pelo uso de lança, o presidente Jânio Quadros tornou ilegais a produção, venda e consumo da substância.
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Isso, é claro, não fez com que o lança desaparecesse das ruas, e ele ainda tem muitas drogas “primas” por aí. O loló é uma delas: não raro, diz-se que loló e lança-perfume são a mesma coisa. Mas isso não é verdade.
O lança-perfume produzido antes da década de 1960 tinha uma composição bem mais confiável, já que passava por indústrias legais, passíveis de fiscalização. Depois da proibição, como é o caso de outras drogas, o critério de qualidade começou a variar bastante.
O lança-perfume e o loló têm muito em comum: são feitos de solventes voláteis e podem levar base de produtos comerciais de fácil acesso, como removedores de tinta (thinner), gasolina, derivados de petróleo, desengraxantes e produtos de limpeza. Eles são altamente voláteis (evaporam facilmente) e lipossolúveis (se dissolvem em gordura) e, por isso, são absorvidos pelos pulmões e atingem o cérebro com extrema rapidez.
Mas eles também têm suas diferenças. Em sua pesquisa de mestrado, uma pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Geovana de Moura Coccaro, analisou dezesseis amostras de drogas inalantes apreendidas pela Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro.
A diferença fundamental é que o lança-perfume possui em sua formulação gases que auxiliam na volatilização e essências ou flavorizantes, que servem para mascarar o odor forte dos solventes – algo como os gostinhos de banana ou menta dos cigarros eletrônicos. Já o loló é geralmente uma mistura mais simples de substâncias como álcool, clorofórmio, éter e, por vezes, gasolina.
A pesquisa aponta também que as “receitas” de lança-perfume tendem a ser significativamente mais complexas, contendo um número muito maior de substâncias. Uma amostra de lança-perfume chegou a ter 109 substâncias diferentes, enquanto as de loló oscilaram entre 7 e 41 compostos.
Então, pode ser que a memória de quem viveu aqueles Carnavais não esteja só contaminada pelo saudosismo: o lança-perfume e o loló atual são mesmo coisas diferentes.
Qual a diferença entre poppers, loló e lança-perfume?
O poppers é uma droga inalatória como o loló e o lança, mas as semelhanças param por aí. Enquanto os dois últimos se enquadram na categoria de solventes voláteis, o poppers é da classe dos nitritos de alquila. Ele não tem o mesmo efeito depressor do sistema nervoso central dos outros dois, mas sim de vasodilatação.
Muitas pessoas consomem o poppers em busca de euforia e relaxamento, e o uso é mais comum em festas ou em relações sexuais. Seu consumo aumenta o risco de batimentos acelerados, dores de cabeça, náuseas e vômito, agitação e problemas oculares, como sensibilidade à luz e pontos cegos.
Como reduzir danos do uso de loló, lança-perfume e poppers?
Já ficou claro que o ideal é não usar. Essas substâncias têm efeitos graves na saúde e podem estragar sua festa. Mas se a farra do Carnaval te levar, ou levar a um amigo, se atente à dicas para minimizar danos.
Primeiro de tudo: não use sozinho. Ter alguém sóbrio por perto pode ser decisivo caso ocorra desmaio, convulsão ou parada respiratória. Também é fundamental evitar ambientes fechados ou pouco ventilados, já que a concentração de vapores pode aumentar rapidamente e provocar asfixia.
Não misture inalantes com outras substâncias, como álcool, benzodiazepínicos, opioides ou outras substâncias depressoras do sistema nervoso central – isso aumenta o risco de parada respiratória e arritmias.
Aumente o intervalo entre usos, e evite “maratonas” de inalações repetidas, que elevam a chance de intoxicação aguda.
Solventes voláteis podem sensibilizar o coração à adrenalina, o que aumenta a probabilidade de arritmias. Por isso, para não forçar o seu coraçãozinho, evite esforço físico intenso.
Dor no peito, palpitações intensas, falta de ar, convulsões, desmaio, confusão mental persistente ou coloração arroxeada nos lábios e dedos são sinais de emergência. Caso alguém passe mal, é indicado colocá-lo na posição lateral de segurança para reduzir o risco de aspiração de vômito enquanto se aguarda ajuda médica – você pode acionar o SAMU pelo número 192.
No caso do poppers, que pertence à classe dos nitritos de alquila e não aos solventes voláteis, os cuidados são um pouco diferentes. Ele pode causar queda brusca de pressão, dor de cabeça intensa e tontura. Não deve ser combinado com medicamentos para disfunção erétil, como sildenafila ou tadalafila, pois a associação pode provocar hipotensão grave. Pessoas com problemas cardíacos ou anemia devem ter atenção redobrada.
Os riscos da tadalafila, o remédio para ereção que virou febre
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Fonte: abril






