Conforme divulgado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), o documentário de curta-metragem “Memórias de Alda” tem lançamento previsto para março deste ano e propõe uma releitura histórica ao evidenciar o protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu, iniciativa conduzida pelo governo federal entre 1943 e 1961, durante o Estado Novo, como parte da política conhecida como Marcha para o Oeste.
Dirigido pela cineasta Fátima Rodrigues, o filme traz ao centro da narrativa Alda Vanique, esposa do coronel Flaviano de Mattos Vanique, militar que liderou os primeiros anos da expedição. Conforme apurado pela reportagem, a obra busca preencher lacunas históricas ao apresentar a vivência de Alda, cuja trajetória permaneceu à margem das narrativas oficiais, tradicionalmente concentradas na atuação masculina, especialmente dos irmãos Villas-Bôas.
A Expedição Roncador-Xingu teve papel estratégico na ocupação e integração do Centro-Oeste brasileiro, resultando na fundação de cidades e, posteriormente, na criação do Parque Nacional do Xingu, em 1961, segundo registros oficiais do governo federal. Nesse contexto, o protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu raramente foi documentado, apesar de sua relevância social e cultural.
Da elite gaúcha ao interior de Mato Grosso
O documentário reconstrói a história de Alda Vanique, jovem da alta sociedade do Rio Grande do Sul que, em 1946, mudou-se para Nova Xavantina, no interior mato-grossense, acompanhando o marido. A narrativa destaca os desafios enfrentados por Alda em um ambiente culturalmente distinto, marcado por isolamento geográfico, conflitos territoriais e intensas transformações sociais.
Segundo historiadores entrevistados pela produção, Alda permanece viva na memória coletiva local, sendo frequentemente lembrada como a “primeira-dama” de Nova Xavantina, expressão que reflete sua influência simbólica na formação do município.
Histórias que se cruzam: Alda e Diacui
Além de Alda, o filme apresenta a trajetória de Diacui, mulher indígena do povo Kalapalo que se casou, em 1952, com o sertanista Ayres Cunha. As histórias se entrelaçam ao longo da narrativa e oferecem visões contrastantes sobre o papel das mulheres em um período marcado por expansão territorial, tragédias pessoais e políticas indigenistas ainda em formação.
De acordo com a diretora, dar visibilidade a essas personagens é fundamental para compreender o protagonismo feminino na expedição Roncador-Xingu sob múltiplas perspectivas, indo além da historiografia tradicional.
Produção, financiamento e pesquisa histórica
“Memórias de Alda” é um projeto aprovado no Edital nº 15/2023/SECEL-MT e financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, mecanismo federal de fomento à cultura. A produção conta com apoio institucional do Núcleo de Produção Digital da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, e foi realizada no município de Barra do Garças.
Conforme confirmado pela equipe do filme, as entrevistas foram realizadas em Barra do Garças, Nova Xavantina e Cuiabá, além de Rio de Janeiro e Porto Alegre. Entre os depoimentos está o de Cláudio de Mello Sander, sobrinho de Alda Vanique, que esteve em Nova Xavantina em dezembro do ano passado para contribuir com relatos familiares e documentos.
Por que essa história importa
Especialistas em história e políticas culturais ouvidos pela produção avaliam que revisitar a Expedição Roncador-Xingu sob a ótica feminina contribui para uma compreensão mais ampla do processo de ocupação territorial brasileiro e das relações sociais estabelecidas nesse período.
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Fonte: cenariomt






