O preço do açúcar cristal branco iniciou fevereiro em queda no mercado paulista, reforçando um movimento observado desde o começo do ano. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que, na parcial do mês até 6 de fevereiro, a média do Indicador CEPEA/ESALQ ficou em R$ 103,46 por saca de 50 quilos, sinalizando um dos menores níveis históricos recentes em termos reais, quando os valores são corrigidos pela inflação.
Levantamentos recentes de mercado confirmam o enfraquecimento das cotações no período. Apenas na primeira semana de fevereiro de 2026, o indicador chegou a operar próximo da casa dos R$ 100 por saca, com registro de R$ 100,63 em 6 de fevereiro, evidenciando a pressão baixista sobre os preços no curto prazo.
Qualidade do produto pesa mais que demanda
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a continuidade da queda está ligada principalmente à maior presença de açúcar cristal com coloração mais elevada — até 180 Icumsa — nas negociações. Esse padrão indica produto de qualidade inferior quando comparado a lotes mais claros, o que naturalmente reduz o valor médio comercializado.
Esse comportamento já vinha sendo observado nos últimos meses. O próprio Cepea apontou, por exemplo, que a predominância de açúcar com maior índice de cor foi determinante para pressionar os preços para baixo, mesmo em períodos em que a oferta não era considerada excessiva.
Na prática, isso significa que a queda recente reflete mais uma mudança no perfil do produto ofertado do que uma retração efetiva do consumo. Ou seja, a demanda segue relativamente estável, mas os negócios têm sido realizados com lotes de padrão visual inferior, o que impacta diretamente o preço médio registrado.
Cenário de pressão vem desde 2025
O movimento de enfraquecimento não é pontual. Dados históricos mostram que o mercado já vinha sofrendo pressão ao longo de 2025, com oferta elevada no mercado à vista contribuindo para segurar as cotações, mesmo diante de fatores externos que poderiam sustentar os preços.
Nesse contexto, o comportamento do açúcar cristal segue fortemente ligado ao equilíbrio entre qualidade do produto disponível, oferta interna e dinâmica de comercialização entre mercado doméstico e exportação.
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Fonte: cenariomt






