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Fraude fiscal em Rondonópolis: desvendando esquema com celulares ocultos

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A apreensão de celulares novos, desligados e estrategicamente escondidos dentro de residências levou os investigadores a identificar uma tática deliberada de blindagem na comunicação de um grupo suspeito de fraudes fiscais em Rondonópolis. O material foi recolhido durante a Operação CNPJ na Cela, deflagrada na última terça-feira, e passou a ser tratado como elemento-chave para o avanço das apurações.

Segundo as investigações, os aparelhos eram utilizados para dificultar o rastreamento policial e segmentar contatos entre os integrantes do esquema. A prática reforça a suspeita de atuação estruturada e profissional do grupo, que é investigado por simular operações de comércio de grãos para sustentar um esquema de fraude fiscal em Mato Grosso.

O material apreendido durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão confirmou indícios já reunidos no inquérito policial instaurado na Delegacia Especializada de Crimes Fazendários. Conforme informações da Polícia Civil, o grupo utilizava cadastros e documentação formalmente regulares para criar uma aparência de legalidade, apesar de não possuir capacidade operacional real para as transações declaradas.

As apurações também apontaram que um contador era indicado como responsável técnico pelas empresas envolvidas, o que ajudava a sustentar a formalidade do esquema. Para os investigadores, esse tipo de estrutura indica planejamento e divisão de funções, características comuns em organizações que buscam reduzir riscos de detecção.

Durante as diligências em um endereço vinculado ao principal articulador do esquema, em Rondonópolis, os policiais localizaram três celulares novos, todos desligados. Os aparelhos não estavam reunidos em um único local, mas espalhados em pontos distintos da casa, ocultos de forma proposital para não serem encontrados em uma vistoria rápida.

A localização dos dispositivos só foi possível após uma busca minuciosa no imóvel. De acordo com os investigadores, a forma como os celulares estavam camuflados evidencia uma tentativa consciente de ocultar provas e evitar a identificação de vínculos entre os envolvidos. Em outro endereço, também no município, a mesma estratégia foi identificada.

Nessa segunda residência, alvo de buscas, as equipes apreenderam cinco aparelhos celulares em posse de um único investigado. Para a Polícia Civil, a multiplicidade de dispositivos reforça a hipótese de uso do chamado rodízio de linhas, prática comum em grupos criminosos que buscam dificultar interceptações e a reconstrução de fluxos de comunicação.

O delegado responsável pelas investigações, João Paulo Firpo Fontes, afirmou que a posse simultânea de vários celulares novos e desligados é um indicativo claro de estratégia criminosa. Segundo ele, o fato de os aparelhos estarem escondidos e distribuídos pela residência demonstra consciência da ilicitude e a intenção de apagar rastros.

Já o delegado titular da Defaz, Walter de Melo Fonseca Júnior, destacou que as apreensões têm relevância técnica para a continuidade do inquérito. Conforme explicou, todos os aparelhos passarão por perícia forense, etapa considerada fundamental para identificar contatos, conexões e a possível hierarquia interna do grupo investigado.

De acordo com a Polícia Civil, a análise do material apreendido deve orientar os próximos passos da investigação e aprofundar a identificação dos envolvidos no esquema de fraudes fiscais, bem como de eventuais ligações com integrantes de facção criminosa, conforme já indicado nos autos.

Fonte: cenariomt

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