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Descubra os Sons dos Peixes: Cientistas Identificam as Vozes de Oito Espécies

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  • Os resultados de uma pesquisa de opiniĂŁo realizada na redação da Super apontam para um consenso: o som que o peixe faz Ă© “glub, glub”.

    Mas cientistas de verdade tĂȘm uma resposta um pouco mais cientĂ­fica.

    HĂĄ muito tempo a humanidade jĂĄ sacou que os peixes sĂŁo tudo, menos silenciosos. Cerca de 2 mil anos atrĂĄs, AristĂłteles escreveu que “Os peixes nĂŁo tĂȘm voz (jĂĄ que nĂŁo tem pulmĂŁo, nem traqueia, nem faringe); todavia, emitem determinados sons e uns gritos a que se chama de voz”. Hoje, das mais ou menos 34 mil espĂ©cies de peixe conhecidas, nĂłs sabemos que mais de mil usam sons para se comunicar.

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    Na falta de cordas vocais, eles se acostumaram a conversar por outros mĂ©todos – como as estruturas Ăłsseas que alguns peixes usam para produzir estalidos, ou mesmo as bexigas natatĂłrias que, em outras espĂ©cies, podem batucar como pequenos tambores. Os arenques, por sua vez, evoluĂ­ram para se comunicar expelindo bolhas de suas traseiras. Peidando, mesmo.

    Agora, inspirados pelas cançÔes das ĂĄguas, uma equipe internacional de cientistas – do CanadĂĄ, Estados Unidos e Brasil – tĂȘm perseguido um sonho ambicioso: aprender peixĂȘs. Trata-se do Fish Sounds, um projeto dedicado a identificar e catalogar os sons Ășnicos de cada espĂ©cie de peixe. Ele jĂĄ acumula mais de 1.300 gravaçÔes subaquĂĄticas em seu catĂĄlogo online de barulhos, o FishSounds.net.

    Do nĂșcleo canadense, na costa da provĂ­ncia de ColĂșmbia BritĂąnica, surge o desdobramento mais recente dessa iniciativa. Pesquisadores da Universidade de VitĂłria foram capazes de identificar mais de 1.000 barulhos de peixes, e atribuĂ­-los a oito espĂ©cies distintas – algumas cujas vozes nunca sequer haviam sido documentadas.

    AlĂ©m disso, os cientistas tambĂ©m identificaram o que levava os peixes a produzirem cada tipo de barulho. É sabido, por exemplo, que certas espĂ©cies batem com o corpo no chĂŁo enquanto tentam xavecar possĂ­veis parceiras.

    Durante o estudo, outro tipo de comportamento produziu um som específico: nadar pela própria vida. Isto é, alguns peixes produziam grunhidos específicos quando fugiam de peixes maiores, possivelmente como um mecanismo de defesa. Os perseguidores, por sua vez, também produziam certos ruídos específicos.

    Para chegar nisso, o estudo publicado no Journal of Fish Biology combinou tĂ©cnicas de monitoramento acĂșstico passivo e machine learning para reconhecer as vozes de diferentes tipos de peixes de recife rochoso.

    Matriz de localização com visualização do peixe-rocha-cobre (Sebastes caurinus) vocalizando próximo a hidrofones.
    (Shane Gross; graphics, Darienne Lancaster/Reprodução)

    Escutar os peixes no fundo do mar sempre foi uma tarefa complicada. O oceano Ă© vasto, os peixes sĂŁo muitos, e, nesse meio, fica difĂ­cil saber de onde, exatamente, cada som veio. Em outras palavras, nĂŁo era possĂ­vel atribuir uma voz para cada espĂ©cie. AtĂ© hoje, muitos estudos dedicados Ă  acĂșstica dos peixes tentavam contornar esse problema levando os peixes para o laboratĂłrio. Isso facilita o trabalho, mas nĂŁo revela muito sobre como os peixes se comunicam em seus habitats naturais.

    A solução que os pesquisadores encontraram foi combinar som e imagem com um mĂ©todo de localização acĂșstica. AlĂ©m de registrar ĂĄudios e vĂ­deos dos peixes, eles usaram uma matriz de localização acĂșstica subaquĂĄtica – um palavrĂŁo que se refere, basicamente, a um conjunto de detectores de som, que, espalhados pelo espaço, funcionam para triangular o lugar de origem de cada som.

    (O vídeo acima é de uma pesquisa anterior, que só juntou åudio e vídeo, sem a triangulação)

    Resumindo: o ĂĄudio captura o som do peixe, a matriz aponta de onde o som veio e o vĂ­deo revela a identidade do peixe que fez o som. No final, toda essa informação foi analisada e processada por um sistema de machine learning treinado para diferenciar as sutilezas dos barulhinhos de cada espĂ©cie. O algoritmo julgou 47 caracterĂ­sticas sonoras, que vĂŁo desde a frequĂȘncia do som atĂ© a duração. Assim, os cientistas foram capazes de determinar, com 88% de precisĂŁo, a quais peixes cada som pertencia.

    Nesse processo, ficou nĂ­tido, por exemplo, que peixes maiores tinham a voz mais grossa, produzindo sons em frequĂȘncias mais baixas que peixes menores.

    As aplicaçÔes desse mĂ©todo de monitoramento sĂŁo mĂșltiplas. Ele pode dizer, por exemplo, o tamanho de um peixe apenas pelo ruĂ­do que ele produz. Essas informaçÔes sĂŁo importantes no manejo e na conservação de ecossistemas marinhos. AtĂ© hoje, a maioria dos mĂ©todos de monitoramento de peixes eram intrusivos – ou seja, atrapalhavam de alguma forma a vida dos bichos. Mesmo mĂ©todos passados de sondagem sonora necessitavam que uma onda de som fosse emitida na direção do peixe.

    O site do projeto – FishSounds.net – Ă© uma de vĂĄrias bases de dados que agrupam os sons do fundo do mar. Se vocĂȘ deseja escutar mais gravaçÔes de bichos marinhos, vale a pena dar uma volta pelo site da Biblioteca Global de Sons BiolĂłgicos SubaquĂĄticos – do inglĂȘs Global Library of Underwater Biological Sounds, ou, como Ă© mais conhecida, GLUBS.

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    Fonte: abril

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