Portugal é um prato cheio para os interessados na história do Brasil. Seja para conhecer de onde surgiram algumas das tradições que herdamos ou para visitar o local de origem de figuras históricas dos dois lados do Atlântico, são muitas as cidades, vilas e monumentos que ajudam a decifrar nosso passado.
Mas nenhum lugar remete a um passado tão ancestral do período colonial quanto Belmonte, um município de pouco mais de 6 mil habitantes conhecido como o berço de Pedro Álvares Cabral, o navegador que inaugurou as investidas portuguesas sobre o que hoje é o Brasil – e ganhou a fama de “descobridor” do território aos olhos europeus.
Belmonte também é uma das 12 “Aldeias Históricas de Portugal”, um título criado pelo governo português no começo dos anos 1990 para exaltar lugares representativos para a trajetória do país. Em meio às elevações da Serra da Estrela, a localidade fica a quase 300 km de Lisboa, seguindo na direção da fronteira com a Espanha, e vale um desvio de rota para conhecer mais sobre uma das páginas fascinantes do período das Grandes Navegações.
Família Cabral é central para a história de Belmonte
Ainda hoje, a vila de quase nove séculos de história se escora na fama de seu filho mais ilustre, exaltando diversos elementos relacionados a Pedro Álvares Cabral e sua expedição até o Brasil. Uma das testemunhas do descobrimento pode ser encontrada na Igreja de São Tiago, a matriz da comunidade: é uma imagem de Nossa Senhora da Esperança, santa que teria sido trazida pelo próprio Cabral em sua viagem.
O templo também abriga o Panteão dos Cabrais, onde foram enterrados alguns dos membros ilustres da família do navegador. Não é difícil identificar o lugar de sepultamento: ele é demarcado pelo brasão da família que, de forma autoexplicativa, conta com o desenho de cabras.
Pertencentes à nobreza, os integrantes do clã Cabral eram influentes na região antes mesmo da fama conferida pela chegada ao Brasil: outra estrutura famosa do lugarejo é o Castelo de Belmonte, uma fortificação que virou a residência familiar nos dias de Fernão Cabral, pai de Pedro Álvares Cabral.
Museu dos Descobrimentos
Outro ponto alto do passeio por Belmonte, especialmente para o brasileiro interessado em história, é o Museu dos Descobrimentos, dedicado às expedições marítimas portuguesas – e, é claro, com foco especial na viagem de “descobrimento” do Brasil liderada pelo mais conhecido nativo da vila.
Inaugurado em 2009, o museu fica no número 68 da rua que leva o nome de Pedro Álvares Cabral, e funciona em uma das antigas casas vinculadas à família. Também chamado de Centro Interpretativo à Descoberta do Novo Mundo, ou DNM, o espaço ainda conta com a biblioteca e o arquivo municipal de Belmonte.
O museu abre de terça-feira a domingo, com ingressos partindo de € 5. Também é possível comprar um bilhete que dá acesso ao DNM e a outros museus da localidade, bem como o Castelo de Belmonte, por € 10.
É uma boa pedida para ir além da história de Cabral: estando em Belmonte, vale também dar uma passada pelo Museu Judaico, o mais antigo do tipo em Portugal. O espaço conta a história dos grupos que decidiram se isolar nessa região, para se proteger, após a expulsão dos judeus sefarditas da Península Ibérica, ao longo do século 16.
Fonte: viagemeturismo






