A circulação de informações falsas nas redes sociais voltou a colocar bancos digitais no centro das atenções após a liquidação extrajudicial da Will Financeira, determinada pelo Banco Central. Entre as instituições citadas em publicações alarmistas está o Nubank, maior banco digital do país em número de clientes, o que levou a empresa a se manifestar publicamente para afastar rumores de encerramento das atividades.
O episódio ocorre em um contexto de insegurança entre consumidores, especialmente após a intervenção do Banco Central no Will Bank, que enfrentava dificuldades financeiras há algum tempo. A situação abriu espaço para especulações generalizadas sobre a saúde de outras fintechs, ainda que os cenários sejam bastante distintos.
Diante da repercussão, o Nubank divulgou um comunicado oficial afirmando que segue operando normalmente e classificou as mensagens que sugerem falência ou saída do Brasil como falsas. A instituição ressaltou sua posição de destaque no sistema financeiro nacional, com mais de 112 milhões de clientes registrados no último ano e baixos índices de reclamação.
Para entender por que o Nubank não está na mesma situação da Will Financeira, especialistas apontam diferenças estruturais relevantes. O educador financeiro Raphael Carneiro explica que a liquidação do Will foi consequência de problemas graves de liquidez e gestão, acompanhados de perto pelo Banco Central. A instituição chegou a passar por um regime especial de administração temporária, mas não conseguiu se recuperar.
No caso do Nubank, o cenário é outro. O banco possui capital aberto, tem ações negociadas na Bolsa de Nova York e segue regras rígidas de governança e transparência exigidas de companhias listadas no exterior. Em 2024, chegou a ultrapassar a Petrobras em valor de mercado, um dado que, embora não elimine riscos — já que nenhuma instituição financeira está imune —, indica um nível elevado de solidez.
Segundo Carneiro, o porte e a estrutura do Nubank oferecem um grau de segurança significativamente maior. Ele ressalta que risco zero não existe no sistema financeiro, mas bancos com capital robusto, controle de riscos e governança sólida tendem a enfrentar crises com mais capacidade de resposta.
A comparação entre bancos digitais e tradicionais também costuma surgir nessas discussões. Para muitos consumidores, instituições físicas parecem mais seguras por sua longa trajetória. Bancos como Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander atravessaram diferentes crises econômicas ao longo de décadas, o que ajuda a consolidar a confiança do público.
Especialistas, no entanto, afirmam que a segurança de um banco não depende do fato de ele ser digital ou físico, mas da qualidade da gestão, do capital próprio, do controle de riscos e do histórico de atuação. O crescimento acelerado dos bancos digitais faz com que alguns ainda precisem provar sua solidez, mas isso não significa fragilidade automática.
Outro ponto de atenção para o consumidor está nas ofertas de investimento. Carneiro alerta que promessas de rendimentos muito acima da média do mercado, como CDBs pagando 140% ou mais do CDI, podem sinalizar maior risco. Embora não seja uma regra absoluta, esse tipo de oferta merece análise cuidadosa.
A educadora financeira Suelen Neves reforça a importância de critérios básicos na escolha de um banco digital. Entre eles, verificar se a instituição é autorizada pelo Banco Central, pesquisar a experiência de outros clientes e evitar concentrar todo o dinheiro em um único banco. Para ela, a facilidade oferecida por algumas plataformas não deve substituir uma avaliação consciente.
Um indicador amplamente utilizado para medir a saúde financeira das instituições é o Índice de Basileia, que relaciona o capital próprio do banco aos seus ativos de risco. No Brasil, o Banco Central estabelece como mínimo regulatório o índice de 11%. O Nubank, segundo dados públicos mais recentes, opera acima de 18%, o que reforça sua capacidade de absorver eventuais perdas.
Casos de boatos financeiros e impactos no mercado não são exclusivos do Brasil e costumam ganhar repercussão internacional, como mostram análises reunidas na editoria de notícias internacionais. Em comum, esses episódios reforçam a importância da informação qualificada diante de rumores.
Para especialistas, o episódio serve como alerta para consumidores avaliarem com cuidado as informações que circulam nas redes. No caso do Nubank, não há indícios concretos de risco de fechamento, e a recomendação é buscar fontes oficiais e indicadores financeiros antes de tirar conclusões.
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Fonte: cenariomt






