Mato Grosso Nova Mutum

Julgamento do caso Raquel Cattani: Testemunhas e Réus depõem no tribunal

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O Tribunal do Júri que julga Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde teve sequência nesta quinta-feira (22), com a oitiva das últimas testemunhas, os interrogatórios dos réus e o início da sustentação oral do Ministério Público. Os dois são acusados pela morte da produtora rural Raquel Cattani, ocorrida em julho de 2024, na zona rural de Nova Mutum.

Os trabalhos foram retomados após o intervalo da tarde com a oitiva de testemunhas arroladas pelas defesas. Marcos Bilibio foi o primeiro a depor, relatando um encontro rápido com Romero no dia do crime, quando o réu teria oferecido novilhas para venda. Segundo a testemunha, a conversa foi breve, à beira da estrada, sem menção a deslocamentos ou outros compromissos.

Na sequência, por videoconferência, foi ouvido Anderson de Barros Sampaio, que afirmou ter estado com Romero na noite anterior ao crime, em companhia de colegas de trabalho. Ele relatou que o grupo frequentou bares e estabelecimentos noturnos, e que todas as despesas teriam sido pagas por Romero, em dinheiro. A testemunha disse não ter presenciado nem ter tido conhecimento direto sobre o crime naquele momento.

A última testemunha foi Samoel Marcos da Conceição, também ouvido por videoconferência. Ele confirmou que esteve com Romero na mesma noite, consumindo bebida alcoólica e circulando por estabelecimentos da cidade até a madrugada. Assim como a testemunha anterior, afirmou que os gastos foram pagos pelo réu e que não manteve contato com ele após aquele dia.

Encerrada a fase de testemunhas, teve início o interrogatório dos réus. Rodrigo Xavier Mengarde, informado de seus direitos constitucionais, optou por permanecer em silêncio. Já Romero Xavier Mengarde decidiu responder às perguntas.

Em seu interrogatório, Romero negou os fatos narrados na denúncia e afirmou que a separação do casal teria partido dele, relatando que estava reorganizando a vida após o término do relacionamento. Ele detalhou sua versão dos acontecimentos que antecederam o crime, descrevendo deslocamentos entre propriedades, encontros familiares e atividades rotineiras.

Romero também falou sobre a relação conturbada com o irmão, Rodrigo, mencionando episódios antigos de conflitos e alegando que evitava contato com ele no período próximo ao crime. Questionado sobre contradições apontadas pela acusação, especialmente em relação a dados telefônicos e encontros, o réu apresentou explicações e afirmou que não participou de qualquer planejamento ou execução do homicídio.

Durante o interrogatório, Romero alegou ainda ter sofrido agressões durante abordagem policial, afirmando que teria sido coagido a confessar envolvimento no crime, o que, segundo ele, explicaria mudanças em versões apresentadas ao longo da investigação.

Com o encerramento dos interrogatórios, a sessão avançou para a fase de sustentação oral. O Ministério Público iniciou sua manifestação destacando a gravidade do caso e a responsabilidade do Conselho de Sentença na análise das provas. A acusação reforçou o pedido de condenação dos dois réus, sustentando que o crime foi cometido de forma planejada e com divisão de tarefas.

Na exposição, os promotores apresentaram aos jurados a linha do tempo construída pela investigação, desde a separação do casal até o dia do crime, ressaltando elementos técnicos, provas digitais e periciais reunidas ao longo do processo. A acusação também enfatizou que a vítima foi surpreendida em sua própria residência, em um contexto de extrema vulnerabilidade.

A sessão foi suspensa após o encerramento da fala inicial da acusação, com previsão de continuidade dos debates entre acusação e defesa antes da deliberação do Conselho de Sentença.

Fonte: cenariomt

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