Economia

Reincidência na inadimplência: 84,7% das famílias enfrentam fragilidades orçamentárias

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A inadimplência no Brasil segue marcada por um ciclo difícil de romper. Dados do Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, mostram que, em dezembro de 2025, 84,75% das negativações registradas no país foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.

Dentro desse universo, a maior parcela, 66,96%, corresponde a consumidores que ainda não haviam quitado dívidas anteriores e acabaram sendo negativados novamente. Outros 17,80% até conseguiram sair do cadastro ao longo do último ano, mas retornaram após novo atraso. Apenas 15,25% dos negativados no período não apresentavam restrições no CPF nos 12 meses anteriores, o que reforça a percepção de que a inadimplência, na maioria dos casos, não é um episódio pontual.

Um dado que chama atenção é o curto intervalo entre uma dívida e outra. Em dezembro, o tempo médio entre o vencimento de uma dívida negativada e o vencimento de novas pendências foi de 70,7 dias, o equivalente a pouco mais de dois meses. Na prática, isso significa que muitos consumidores voltam a se endividar rapidamente, mesmo após já enfrentarem restrições de crédito.

O indicador também aponta que, nos 12 meses encerrados em dezembro de 2025, o número de devedores reincidentes cresceu 15,02% em relação ao período imediatamente anterior. Para a CNDL, o avanço evidencia um problema estrutural nas finanças das famílias brasileiras. Segundo o presidente da entidade, José César da Costa, a negativação raramente é um evento isolado e reflete a dificuldade do consumidor em se manter adimplente no longo prazo, especialmente em um contexto de juros elevados e custo de vida pressionado. Mesmo após quitar dívidas, muitos acabam retornando ao cadastro em pouco mais de dois meses, o que demonstra como o orçamento segue fragilizado.

Perfil da inadimplência

O perfil dos reincidentes em dezembro de 2025 mostra que a faixa etária entre 30 e 39 anos concentra a maior participação, com 26,39% do total. Em relação ao sexo, a distribuição permanece relativamente equilibrada, com 55,88% de mulheres e 44,12% de homens.

Os dados de reincidência ganham ainda mais relevância quando analisados em conjunto com o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, do SPC Brasil, que acompanha o número de consumidores que conseguem sair dos cadastros de inadimplentes após quitar suas dívidas. Segundo o levantamento, a inadimplência atinge atualmente 44,02% da população adulta, e a capacidade de recuperação vem diminuindo.

Nos 12 meses encerrados em dezembro de 2025, o número de consumidores que conseguiram limpar o nome caiu 7,45% na comparação com os 12 meses anteriores. A maior retração foi observada entre aqueles que levaram de quatro a cinco anos para quitar todas as dívidas, grupo que registrou queda de 21,76% na recuperação de crédito, indicando maior dificuldade de regularização entre consumidores com histórico mais longo de endividamento.

Crédito recuperado

Entre os consumidores que efetivamente conseguiram sair do cadastro em dezembro, a faixa etária de 50 a 64 anos foi a mais representativa, com 23,33% do total. Nesse grupo, 51,80% eram mulheres e 48,20% homens. O valor médio pago por consumidor recuperado foi de R$ 2.194,65, considerando a soma de todas as dívidas quitadas, embora 59,68% tenham desembolsado até R$ 500 para regularizar a situação.

Para o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, os números reforçam a necessidade de uma mudança mais profunda na relação do consumidor com o dinheiro. Ele destaca que o planejamento financeiro rigoroso, a priorização de despesas essenciais e o cuidado com o uso do crédito são fundamentais para evitar o retorno rápido à inadimplência. O alerta se estende também ao uso de recursos em apostas e jogos, apontados como fatores que comprometem a renda familiar sem garantia de retorno.

O conjunto de dados revela um cenário preocupante, em que cresce a reincidência ao mesmo tempo em que diminui a capacidade de recuperação, ampliando os desafios para o equilíbrio financeiro das famílias brasileiras. A leitura é de que limpar o nome, por si só, não tem sido suficiente para romper o ciclo do endividamento, tema que segue no centro do debate econômico e social.

Fonte: cenariomt

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