Em 1972, a humanidade pisou pela última vez na Lua durante a missão Apollo 17, da Nasa. Era o fim da corrida espacial contra os soviéticos, vencida pelos americanos. O programa lunar da agência americana foi cancelado, e o órgão passou a se concentrar em outras prioridades.
Porém, nos últimos anos, a Nasa deu início ao Programa Artemis, cujo objetivo é retomar a exploração da Lua e, mais do que isso, estabelecer uma presença humana de longo prazo por lá, incluindo a construção de uma estação espacial lunar. Desenvolvido em colaboração com Europa, Canadá e Japão, o plano ambicioso prevê cinco missões.
A primeira delas foi a Artemis I. Em 2022, ela levou a cápsula Orion, desenvolvida especialmente para o programa, para orbitar a Lua. O lançamento foi feito pelo superfoguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS). Sem tripulação a bordo, a missão foi considerada um sucesso, apesar de alguns problemas no escudo térmico durante o retorno à atmosfera terrestre.
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Agora, a Orion volta aos arredores da Lua na missão Artemis II, desta vez com astronautas a bordo. Eles irão testar os sistemas de suporte à vida humana e o controle manual de voo da nave, verificando se ela é capaz de sustentar, no futuro, missões de longa duração. Depois de adiamentos nos últimos anos (a ideia era lançar Artemis II no fim de 2024), o lançamento está previsto para 6 de fevereiro de 2026 e será histórico, marcando o retorno de humanos ao entorno lunar pela primeira vez no século 21.
O trajeto será bem parecido com o da primeira missão e, assim como ela, a cápsula não pousará na superfície lunar. O foguete SLS lançará a Orion, que realizará duas voltas ao redor da Terra para testar seu funcionamento e ganhar velocidade antes de seguir rumo à Lua.
A nave entrará numa trajetória de “retorno livre”, usando a gravidade do sistema Terra–Lua para contornar o satélite e voltar naturalmente ao nosso planeta, sem manobras adicionais. A viagem deve durar cerca de dez dias.
A Orion passará a mais de 4.500 quilômetros do lado oculto da Lua, o que a colocará a mais 400 mil quilômetros da Terra. Esta será a missão tripulada mais distante já realizada pela humanidade.
A bordo estarão quatro astronautas: três da Nasa (Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch) e o canadense Jeremy Hansen. Pela primeira vez, uma mulher, um homem negro e um tripulante não americano viajarão à Lua, fazendo da Artemis II um marco também em diversidade. Todas as missões Apollo tiveram tripulações formadas exclusivamente por homens brancos estadunidenses.

Será possível acompanhar o lançamento dessa equipe no dia 6 de fevereiro, às 23h41 (horário de Brasília), diretamente do Kennedy Space Center, na Flórida – ou pela TV de casa mesmo, via YouTube. Mas não convém se apegar demais à data e ao horário: eles podem mudar a qualquer momento. A primeira janela de lançamento vai até 11 de fevereiro, mas, caso haja algum problema, novas janelas poderão ser abertas. A única certeza é que o lançamento acontecerá até abril.
O cronograma precisa ser planejado com cuidado, já que o voo não pode coincidir com um eclipse solar. A cápsula Orion possui um sistema de painéis solares para a geração de energia, o que faz com que ela não possa ficar no escuro por mais de 90 minutos seguidos.
A próxima missão, a Artemis III, promete levar astronautas para caminhar na superfície lunar. Já Artemis IV e V planejam levar à órbita lunar a estação Gateway e, posteriormente, o módulo Blue Moon da Blue Origin, inaugurando uma fase de infraestrutura permanente no satélite.
Fonte: abril






