Convulsões costumam causar medo e insegurança em quem presencia a situação. Apesar disso, nem toda convulsão significa epilepsia e em muitos casos, o episódio é isolado e reversível. Entender o que é uma convulsão, por que ela acontece e como agir corretamente pode fazer toda a diferença.
Além do impacto imediato, as convulsões também levantam muitas dúvidas sobre riscos, causas e possíveis consequências. A falta de informação faz com que mitos ainda sejam comuns, como a ideia de que toda crise convulsiva é grave ou representa uma condição permanente.
Na prática, cada caso precisa ser avaliado individualmente, já que fatores como idade, histórico de saúde e circunstâncias do episódio influenciam diretamente no diagnóstico e na conduta médica.
O que é a convulsão?
Para esclarecer essas questões, o médico neurologista Felipe Guardini, explicou ao Primeira Página que a convulsão é um sinal clínico e não, necessariamente, uma doença crônica. Segundo o neurocirurgião, identificar a causa é essencial para definir o tratamento e evitar novas crises.
“Uma convulsão é um evento causado por uma atividade elétrica anormal e desorganizada no cérebro. Isso pode provocar movimentos involuntários, como rigidez do corpo, tremores generalizados e perda da consciência ou alterações do comportamento por alguns segundos ou até minutos”, destaca.
Segundo o neurologista, as convulsões podem ser desencadeadas por epilepsia, febre alta, principalmente em crianças pequenas, traumatismos cranianos, acidente vascular cerebral (AVC), infecções do cérebro, como meningite ou encefalite, distúrbios metabólicos, a exemplo da queda de glicose no sangue ou alterações de sódio, além do uso ou da abstinência de álcool e drogas e da presença de tumores cerebrais.
O que fazer durante uma crise convulsiva?
Durante uma crise convulsiva, a orientação é manter a calma, deitar a pessoa de lado para evitar engasgos, afastar objetos que possam causar ferimentos e proteger a cabeça com algo macio, como um travesseiro ou cobertor.
A cabeça deve ficar levemente inclinada para trás, com o queixo afastado do peito, para facilitar a passagem do ar e reduzir o risco de engasgo, sempre com um movimento suave, sem aplicar força.
Além disso, é fundamental observar a duração da crise e acionar o serviço de emergência médica quando necessário.
O que NÃO se deve fazer de jeito nenhum?
Durante uma crise convulsiva, não se deve colocar objetos ou os dedos na boca da pessoa, nem tentar segurá-la à força. Também é incorreto jogar água no rosto ou oferecer comida, bebida ou medicamentos durante ou logo após a crise, já que essas atitudes não ajudam e podem causar ferimentos ou outras complicações.
Como a epilepsia se manifesta?
O especialista destaca ainda que epilepsia é uma condição neurológica específica, caracterizada pela ocorrência de crises convulsivas recorrentes, sem uma causa pontual identificável no momento do episódio.
Diferentemente de uma convulsão isolada, a epilepsia exige acompanhamento contínuo, já que as crises tendem a se repetir ao longo do tempo se não houver controle adequado.
Segundo o neurologista, uma pessoa pode ter uma única convulsão ao longo da vida e nunca mais apresentar outro episódio, sem que isso signifique diagnóstico de epilepsia.
Já nos casos epilépticos, as crises estão relacionadas a alterações persistentes na atividade elétrica do cérebro, o que torna fundamental o diagnóstico correto, o uso regular de medicação quando indicada e o acompanhamento médico para reduzir riscos e garantir qualidade de vida ao paciente.
Quais são os sintomas de epilepsia?
Os sintomas mais comuns da epilepsia incluem:
- Convulsões com tremores pelo corpo;
- Respiração ofegante ou acelerada;
- Formigamento e alterações no olfato, paladar ou audição;
- Perda da consciência ou desmaio;
- Sensação estranha no estômago ou medo repentino;
- Movimentos involuntários dos olhos, da boca ou dos membros;
- Confusão mental após a crise;
- Olhar fixo ou ausente por alguns segundos;
- Rigidez no corpo;
- Salivação excessiva;
- Mordida na língua;
- Perda do controle da bexiga ou do intestino.
Em alguns casos, a crise epiléptica também pode provocar rigidez muscular, salivação excessiva, mordida na língua e perda do controle da bexiga ou do intestino.
Os sintomas variam de acordo com cada pessoa e com o tipo de epilepsia, podendo se manifestar de forma leve ou mais intensa, o que reforça a importância de saber reconhecer os sinais de uma crise convulsiva.
Como saber se tenho epilepsia?
A epilepsia é suspeitada quando a pessoa apresenta duas ou mais crises convulsivas sem causa aparente. No entanto, o diagnóstico não deve ser feito apenas com base nos episódios.
A confirmação só pode ser realizada por um neurologista, após a avaliação dos sintomas, do histórico clínico e de exames específicos, garantindo um diagnóstico seguro e o tratamento adequado.
Especialistas reforçam que, diante de qualquer crise convulsiva, é fundamental procurar atendimento médico para investigar a causa e orientar a conduta adequada, especialmente quando os episódios se repetem ou ocorrem pela primeira vez.
Fonte: primeirapagina






