O mercado de aluguéis residenciais encerrou 2025 sob pressão de alta. O Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) registrou aumento de 0,51% em dezembro, elevando o acumulado dos últimos 12 meses para 8,85%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Em novembro, essa variação era de 6,92%, o que evidencia uma aceleração significativa no fim do ano.
O resultado reforça a leitura de um mercado ainda aquecido, com espaço para repasses de preços e pouca folga para inquilinos, especialmente em regiões com oferta restrita. Para os economistas, o comportamento do índice reflete efeitos defasados da inflação, além de um processo contínuo de recomposição de valores após períodos de maior instabilidade econômica.
Na avaliação de Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o desempenho do IVAR em 2025 indica que os reajustes permaneceram elevados ao longo do ano, superando levemente os índices observados em 2024. Segundo ele, o início de 2026 tende a manter esse mesmo ritmo, sustentado por juros ainda altos, inflação persistente no setor de serviços e limitações na oferta de imóveis, sobretudo nas áreas centrais das grandes cidades.
Capitais registram comportamento desigual em dezembro
Entre novembro e dezembro, três das quatro capitais monitoradas pelo IVAR apresentaram aumento nos preços de locação residencial. Belo Horizonte liderou as altas, com avanço de 1,11% no mês, a maior variação entre as cidades pesquisadas. Em São Paulo, os aluguéis subiram, em média, 0,65%, enquanto Porto Alegre registrou alta mais moderada, de 0,25%.
O Rio de Janeiro foi a única capital a apresentar estabilidade no período, com variação nula nos preços de locação residencial em dezembro. Apesar disso, o comportamento anual da capital fluminense chama atenção pelo ritmo de aceleração observado ao longo de 2025.
Rio de Janeiro lidera alta acumulada no ano
Na leitura interanual, os dados mostram ganho de fôlego em três das quatro capitais analisadas. O Rio de Janeiro registrou a maior aceleração, com a taxa acumulada em 12 meses saltando de 5,50% em novembro para expressivos 12,11% em dezembro de 2025. Em São Paulo, o movimento também foi relevante, com o índice passando de 6,53% para 9,48% no mesmo intervalo.
Entre as capitais que apresentaram desaceleração, Porto Alegre teve o ajuste mais intenso, com a variação em 12 meses recuando de 4,63% para 3,32%. Belo Horizonte seguiu a mesma tendência, embora de forma mais suave, com queda de 11,37% para 11,27%, praticamente estabilidade.
Indicador reforça pressão no orçamento das famílias
Criado para refletir com mais fidelidade a realidade do mercado imobiliário, o IVAR é calculado a partir de contratos efetivamente firmados ou renegociados, com dados anonimizados fornecidos por administradoras de imóveis. Diferentemente do IGP-M, tradicionalmente utilizado como referência em contratos de locação, o IVAR considera exclusivamente os valores reais pagos pelos locatários, o que o torna um retrato mais preciso da dinâmica dos aluguéis residenciais.
Ao longo de 2025, o índice oscilou entre meses de forte alta e períodos de acomodação, mas manteve trajetória consistente de pressão acumulada. O resultado final de 8,85% reforça o peso do aluguel no orçamento das famílias e indica que a negociação entre proprietários e inquilinos deve seguir desafiadora nos próximos meses, especialmente em um cenário econômico ainda marcado por juros elevados e inflação resistente em segmentos essenciais.
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Fonte: cenariomt






