Os preços dos ovos encerraram dezembro de 2025 na menor média registrada ao longo do ano, e o movimento de desvalorização segue firme neste início de 2026. Dados levantados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que as quedas nas cotações médias se intensificaram na parcial de janeiro em todas as praças acompanhadas, refletindo um cenário de maior pressão sobre o setor avícola.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse comportamento está diretamente relacionado à combinação entre aumento da oferta e enfraquecimento das vendas, dinâmica típica do período, mas que neste ano tem se mostrado mais acentuada.
Maior disponibilidade do produto pressiona o mercado
Do lado da oferta, o mercado convive com maior disponibilidade de ovos, resultado da manutenção dos níveis de produção ao final de 2025. Esse volume mais elevado encontra, neste momento, dificuldade de absorção pelo mercado, o que contribui para o recuo das cotações.
A pressão se intensifica em um período historicamente marcado por menor consumo. Tradicionalmente, o primeiro mês do ano apresenta demanda mais retraída, reflexo do menor poder de compra da população, impactada por gastos extras típicos do início do ano, como impostos, material escolar e despesas acumuladas do período festivo.
Bastos registra forte recuo nas cotações em janeiro
Levantamento do Cepea indica que, em Bastos (SP), principal polo produtor do País, o preço médio da caixa com 30 dúzias de ovo branco tipo extra, para retirada na granja, atingiu R$ 89,56 na parcial de janeiro, considerando dados até o dia 7.
Esse valor representa queda de 25,3% em relação a dezembro de 2025 e um recuo ainda mais expressivo quando comparado à média de janeiro do ano passado. Em termos reais, já deflacionados pelo IGP-DI de novembro de 2025, a cotação atual está 36,2% abaixo da média registrada em janeiro de 2025.
O cenário reforça um início de ano desafiador para os produtores, que acompanham com atenção o comportamento da demanda e aguardam uma possível reação do consumo ao longo dos próximos meses, especialmente com a normalização das despesas das famílias.
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Fonte: cenariomt






