Quatro pessoas morreram em decorrência de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas em diferentes municípios de Mato Grosso. O primeiro óbito foi confirmado em 6 de novembro, marcando o início de uma sequência de casos fatais registrados ao longo do mês seguinte.
As mortes ocorreram após quadros clínicos graves que exigiram internação hospitalar e, em alguns casos, transferência para unidades de referência. As confirmações foram feitas pela Secretaria de Estado de Saúde, que passou a monitorar as ocorrências relacionadas ao consumo de bebidas suspeitas no estado.
O primeiro registro envolveu uma mulher de 30 anos, moradora de Várzea Grande, que morreu após ingerir bebida adulterada. Dias depois, em 21 de novembro, foi confirmada a morte de Márcia Guimarães, de 42 anos, residente em Itanhangá. Ela permaneceu 18 dias internada em estado grave, entubada em uma UTI e submetida ao tratamento com antídoto específico.
Em 6 de dezembro, a Secretaria confirmou o óbito de Flávio Roberto da Mata Pereira, de 33 anos, morador de Nova Brasilândia. Ele passou mal após consumir uísque durante uma festa em Planalto da Serra, no dia 15 de novembro. O estado de saúde se agravou rapidamente, houve transferência para o Hospital São Benedito, em Cuiabá, mas o paciente não resistiu.
No início de dezembro, um jovem de 24 anos, morador de Querência, morreu em um hospital particular de Barra do Garças. Segundo informações da Secretaria de Saúde, ele deu entrada em estado crítico, teve a intoxicação confirmada por exame toxicológico, mas não recebeu o antídoto a tempo.
Casos investigados e impactos no estado
Além das mortes, a crise deixou sobreviventes com sequelas permanentes. O marqueteiro Igor Thomae Rodrigues, de 27 anos, perdeu a visão após consumir bebida adulterada. Ele recebeu tratamento com fomepizol, antídoto indicado para intoxicação por metanol, e apresentou recuperação parcial da capacidade visual.
A Secretaria de Saúde também investigou ocorrências em Várzea Grande e Itanhangá, onde houve dois casos confirmados em cada município. Conforme dados da pasta, o caso de Flávio Roberto da Mata Pereira, apesar de confirmado, ainda não consta no painel oficial divulgado pelo estado.
O metanol é um álcool de uso industrial, altamente tóxico ao organismo humano. Quando ingerido, é metabolizado em substâncias que atacam o sistema nervoso, a visão e órgãos vitais. Os efeitos podem incluir náuseas, dores abdominais, confusão mental, perda visual, falência respiratória e morte. Diferente do etanol, próprio para consumo, o metanol não pode ser ingerido em nenhuma hipótese.
Monitoramento e orientação à população
Diante da gravidade dos casos, o Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação para acompanhar notificações em todo o país, padronizar registros e orientar unidades hospitalares. A Vigilância Sanitária intensificou fiscalizações em bares, distribuidoras e comércios, além de divulgar listas de marcas e lotes sob suspeita.
Especialistas alertam que a intoxicação por metanol é uma emergência médica. Sintomas podem surgir cerca de 12 horas após o consumo e incluem alterações visuais, náusea, vômitos, dor abdominal, confusão mental, sonolência, tontura, dor de cabeça e fraqueza muscular. A orientação é buscar atendimento imediato ao menor sinal, conforme reforçado por técnicos do Ciatox e pela Secretaria de Saúde.
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Fonte: cenariomt






